
A bactéria Salmonella foi identificada em mais de 31% das amostras coletadas em viveiros de peixes nativos em Mato Grosso, um dos principais polos de produção aquícola do país. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (24) pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Segundo o levantamento, o patógeno foi encontrado em 88% das propriedades analisadas no estado, o que acende um alerta para a necessidade de reforço nas medidas de biossegurança e no monitoramento sanitário dos sistemas de criação.
O estudo foi realizado em viveiros localizados nos biomas Pantanal e Cerrado, com a análise de 184 amostras entre peixes, água, sedimentos, ração e fezes de animais presentes nas áreas de cultivo. As análises seguiram protocolos internacionais e foram confirmadas por testes moleculares.
De acordo com a pesquisadora Fabíola Fogaça, a identificação precoce de pontos de contaminação permite a adoção de medidas preventivas capazes de reduzir riscos ao alimento. A pesquisa identificou ainda dez sorotipos diferentes da bactéria, com níveis moderados de resistência a alguns antibióticos, sem registro de cepas multirresistentes.
Os resultados apontam que as vísceras dos peixes apresentaram maior incidência de contaminação e que os índices foram mais elevados durante o período seco, indicando influência direta de fatores ambientais e de manejo.
Outro estudo complementar analisou 55 cepas da bactéria em tambatingas — peixe híbrido amplamente produzido no país — e concluiu que nenhuma delas está associada a surtos graves em humanos. Além disso, todas responderam aos antibióticos testados, indicando baixo risco de resistência nas condições avaliadas.
Apesar dos dados, os pesquisadores ressaltam que isso não significa necessariamente que o produto final esteja contaminado. Processos industriais, controle sanitário rigoroso e o cozimento adequado são capazes de eliminar ou reduzir significativamente os riscos.
A contaminação pode ocorrer ainda nos viveiros, principalmente devido ao contato com animais silvestres e domésticos, como aves, jacarés, capivaras, suínos, cães e gatos, que têm acesso às áreas de criação.
O estudo também aponta possíveis melhorias no processamento industrial. Segundo especialistas, inverter etapas — realizando a retirada de vísceras e guelras antes da lavagem hiperclorada — pode aumentar a eficiência na redução de contaminação.


como evitar contaminação ao consumir pescado
Mesmo que o pescado tenha sido exposto a microrganismos durante a produção, cuidados simples na cozinha reduzem o risco de contaminação alimentar praticamente a zero:
armazenamento
- mantenha o pescado refrigerado (até 4 °C) ou congelado
- evite deixar o produto fora da geladeira por longos períodos
evite contaminação cruzada
- separe peixe cru de alimentos prontos para consumo
- utilize utensílios diferentes para alimentos crus e cozidos
- lave bem as mãos, superfícies e utensílios após o manuseio
cozimento seguro
- cozinhe completamente o pescado (temperatura acima de 70 °C)
- evite consumir peixe cru ou mal cozido sem inspeção sanitária
higiene na cozinha
- descarte líquidos da embalagem
- higienize a pia após o preparo
- prefira produtos de origem inspecionada
o que é salmonella?
A Salmonella é uma bactéria que pode causar intoxicação alimentar e, em casos mais graves, levar a infecções severas. A transmissão ocorre, principalmente, pela ingestão de alimentos contaminados por fezes de animais como aves, suínos, répteis, bovinos e até animais domésticos.
Dependendo do tipo da bactéria, a infecção pode causar desde quadros leves de diarreia até doenças mais graves, como a febre tifoide.


