Torcedor do Mixto corre 60 km para cumprir promessa após título

Um título esperado por 18 anos virou combustível para uma promessa que exige corpo e mente no limite. O educador físico Gustavo Felipe Araújo Mendonça Costa, de 29 anos, correu quase 60 quilômetros, de Cuiabá até Chapada dos Guimarães, nesta sexta-feira (1), para celebrar a conquista do Campeonato Mato-grossense de 2026 pelo Mixto.
Largando às 2h da manhã, Gustavo completou os mais de 58 km em cerca de 5h10 e cruzou a linha de chegada na Praça Dom Wunibaldo, no centro da cidade turística.

A paixão pelo clube começou cedo, ainda na infância, e nunca mais saiu. “Eu tinha uns 6, 7 anos quando fui ao Verdão com a minha mãe. Era um clássico contra o Operário, e o Mixto venceu. Mas o que me marcou mesmo foi a torcida. Naquele dia eu decidi que aquele seria meu time do coração”, relembra.

Desde 2012, ele acompanha o time de perto, dentro e fora de campo. Ao longo dos anos, acumulou histórias que traduzem essa ligação. “Já tatuei o escudo no peito, do lado do coração, porque representa muito pra mim. Em 2014, larguei o serviço pra viajar com a torcida pra Vila Belmiro. Nem sabia se ia ter emprego quando voltasse, mas fui. Graças a Deus deu tudo certo”, conta.

Mesmo assim, ele garante que nada se compara ao desafio atual. A promessa nasceu no calor da emoção, logo após a classificação do Mixto para a final. “Foi no fim de fevereiro, quando a gente eliminou o Operário. Eu falei no grupo da torcida, na empolgação mesmo. O pessoal tirou print e não deixou mais pra lá. Fui sendo cobrado todos os dias”, diz, entre risos.

Para Gustavo, a conquista tem um significado que vai além do futebol. “O Mixto representa amor. É um time que sofreu, ficou 18 anos sem título… e mesmo assim a gente nunca abandonou. Só quem ama entende isso”, afirma.

Corrida Mixto

A promessa, segundo ele, também é uma forma de materializar esse sentimento. “Tem coisa que a gente não consegue explicar, só sentir. E uma promessa dessa, difícil, pesada, mostra o tamanho do que a gente sente pelo clube”, completa.

Apesar de ser atleta e estar em preparação para sua primeira maratona, o desafio não foi simples. “A maior distância que eu corri foi 30 km. Agora eu fiz o dobro. Quando a ficha caiu, deu um frio na barriga. Não é fácil”, admite.

Mais do que o preparo físico, ele destaca o aspecto mental. “O corpo cansou, mas a mente precisou estar forte. Mais de 50% disso aqui é psicológico. Se a cabeça não aguenta, o corpo para”, explica.

A corrida foi feita durante a madrugada, para fugir do calor intenso. No percurso, ele teve o apoio do amigo Diego Roger e da namorada, Maria Eduarda. “Eles estiveram comigo o tempo todo. A hidratação, alimentação, tudo já estava planejado. O que foi essencial pra eu conseguir chegar”, diz.

Outro desafio foi a subida até Chapada dos Guimarães. “Não é só a distância. A altimetria pesa muito. Cuiabá é baixa, Chapada já é bem mais alta. É um desgaste grande”, pontua.

A Motivação o levou até lá. “Esse título tirou um peso enorme das nossas costas. Foi uma angústia de anos. Eles entraram pra história”, afirma.

Aos jogadores, ele deixa uma mensagem direta: “Só tenho que agradecer. A gente esteve com eles em todos os momentos, e eles deram essa alegria pra gente. Esse título é inesquecível”.

No fim, Gustavo resume o que move cada passo dessa jornada: “É amor. E só quem sente, entende”.

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