SEMPRE GANHAVA”: Influenciadora usava “links premiados falsos” para atrair apostadores MT

A DERF investiga esquema de plataformas de jogos de azar; empresas divulgadas pela influenciadora acumulam 355 boletins de ocorrência por estelionato

A promessa de dinheiro fácil escondia um suposto esquema de golpes. A influenciadora Pamela Cristiane da Silva, de 30 anos, conhecida como Pam do Grau, é investigada pela Polícia Civil por divulgar plataformas de jogos de azar com supostos “links premiados falsos”, usados para convencer apostadores de que era possível ganhar dinheiro com facilidade.

A influenciadora foi alvo da Operação Jogo Duplo, deflagrada na terça-feira (8), em Nova Mutum, a 269 quilômetros de Cuiabá.

De acordo com o delegado Jean Paulo Ferreira, Pamela recebia um acesso diferente daquele disponibilizado aos apostadores comuns. Na plataforma utilizada por ela, os resultados apresentados indicavam que os jogos eram sempre favoráveis, fazendo parecer que a influenciadora estava constantemente ganhando dinheiro.

Segundo a investigação, ela gravava a própria tela enquanto supostamente obtinha os ganhos e posteriormente divulgava os vídeos em seu perfil no Instagram, que reúne cerca de 120 mil seguidores.

A estratégia, conforme a Polícia Civil, era fazer com que os seguidores acreditassem que também poderiam obter os mesmos resultados caso depositassem dinheiro e começassem a apostar.

355 boletins de ocorrência

As empresas de jogos divulgadas pela influenciadora são alvo de 355 boletins de ocorrência por estelionato, registrados em diferentes estados brasileiros entre 2025 e 2026.

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Ainda segundo a investigação, um dos principais problemas enfrentados pelas vítimas era a impossibilidade de sacar os valores que apareciam como ganhos dentro das plataformas.

A Polícia Civil aponta ainda que algumas das empresas permaneciam em funcionamento durante apenas dois ou três meses. Depois, encerravam as atividades e novos links e nomes passavam a ser utilizados.

Mesmo com a mudança das plataformas, segundo a investigação, as divulgações continuavam sendo realizadas.

Influenciadora lucrava com perdas, diz polícia

Outro ponto investigado é a forma como Pamela seria remunerada.

Conforme o delegado responsável pelo caso, a influenciadora receberia valores relacionados às perdas dos apostadores que chegavam às plataformas por meio de suas divulgações.

Ou seja, quanto mais pessoas fossem atraídas para os jogos e perdessem dinheiro, maior seria o retorno obtido pela influenciadora, segundo a investigação.

R$ 928 mil movimentados

A Polícia Civil também identificou uma movimentação financeira considerada incompatível com a renda declarada pela investigada.

Entre junho de 2025 e abril de 2026, cerca de R$ 928 mil passaram pela conta bancária de Pamela.

Segundo a investigação, ela não possuía vínculo empregatício formal e havia declarado uma renda mensal de aproximadamente R$ 901.

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Durante a operação, a Justiça autorizou buscas na residência da influenciadora, além da quebra do sigilo telemático dos aparelhos apreendidos e do sigilo fiscal referente aos anos de 2023 a 2026.

Pamela também passou a utilizar tornozeleira eletrônica. A Justiça determinou ainda a suspensão de seu perfil no Instagram, o sequestro de veículos registrados em seu nome e o bloqueio de R$ 642.845,45.

Veículos de luxo são apreendidos

Entre os bens apreendidos durante a Operação Jogo Duplo estão:

  • um jet ski;
  • duas motonetas elétricas;
  • quatro motocicletas;
  • um VW Jetta 2.0;
  • uma carretinha;
  • um reboque para jet ski;
  • uma câmera;
  • dois celulares;
  • um drone.

Entre as motocicletas estão uma Yamaha XT 660R, BMW G310, BMW R1250GS A e Honda CG 160 Titan EX.

Somente os veículos apreendidos são avaliados pela Polícia Civil em aproximadamente R$ 400 mil.

Investigação continua

As investigações continuam para identificar a participação de outros envolvidos, esclarecer o funcionamento do esquema e rastrear os valores movimentados pelas plataformas.

A Polícia Civil orienta que moradores de Nova Mutum que tenham realizado apostas nas empresas investigadas e se considerem vítimas procurem a Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (DERF) do município para registrar boletim de ocorrência.

A defesa de Pamela não foi localizada para comentar as acusações.

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