Schneider, Brignoni e Badan podem ficar de fora da disputa da presidência da Câmara; Entenda os motivos

A alteração aprovada pelos vereadores de Nova Mutum que reduz de seis para cinco o número de integrantes da Mesa Diretora da Câmara Municipal para o próximo biênio pode representar mais do que uma mudança na representatividade do Legislativo. A medida também poderá modificar o cenário da disputa pela Presidência da Casa e abrir espaço para diferentes articulações entre os parlamentares.

A justificativa apresentada publicamente pelo vereador Anderson Mantovan, um dos defensores da proposta é de que a mudança amplia a representatividade na composição da Mesa. Entretanto, nos bastidores, a nova configuração também passou a ser analisada sob a ótica da disputa pelo comando do Legislativo.

Com cinco vagas disponíveis, presidente, vice-presidente, segundo vice-presidente e dois secretários, existe a possibilidade de que duas chapas sejam formadas para disputar a eleição. Também não está descartada a formação de uma chapa única, caso haja entendimento entre os vereadores.

Três vereadores podem assumir papel decisivo

Uma das possibilidades que passou a ser considerada nos bastidores envolve a formação de duas chapas com cinco integrantes cada. Nesse cenário, considerando a atual composição política da Câmara, três vereadores poderiam acabar não integrando nenhuma das duas chapas: o atual presidente Lucas Badan, o atual vice-presidente Ricardo Schneider e o atual 2º secretário Rafael Brignoni.

Caso esse desenho se confirme, os três poderiam assumir um papel decisivo na eleição.

Isso porque, em uma eventual divisão de votos entre dois grupos, poderá ocorrer um cenário de equilíbrio entre as chapas. Nesse caso, os votos de Lucas, Ricardo e Rafael poderiam ser determinantes para definir quem ficará com o comando da Câmara no próximo biênio.

Os três parlamentares, que em diversas votações têm adotado posições semelhantes, poderiam se transformar, portanto, em uma espécie de fiel da balança da eleição.

Grupo de José da Paixão já teria quatro votos

De um lado, está o grupo liderado pelo vereador e ex-presidente da Câmara José da Paixão, que, segundo a apuração da reportagem, já contaria naturalmente com quatro votos para uma eventual composição.

A outra possibilidade seria uma divisão dentro da própria base de sustentação do prefeito Leandro Félix.

Uma eventual disputa interna entre vereadores ligados ao Executivo poderia resultar na formação de uma segunda chapa, transformando a eleição da Mesa em uma disputa dentro do próprio grupo político que hoje dá sustentação ao prefeito na Câmara.

Entre os nomes que poderiam assumir o protagonismo dessa eventual segunda chapa estão Altair Albuquerque, que já presidiu o Legislativo, e Maciel Sousa.

Maciel, embora integre a base do prefeito Leandro Félix, tem adotado posições contrárias ao Executivo em diversas matérias consideradas importantes para a administração municipal. Esse comportamento parlamentar poderia colocá-lo como uma alternativa em uma eventual composição independente dentro da base.

Eleição pode antecipar movimentos para 2028

Se esse cenário se confirmar, Lucas Badan, Ricardo Schneider e Rafael Brignoni poderiam se transformar nos chamados “votos de Minerva” da eleição, embora juridicamente o resultado dependa das regras previstas para a votação da Mesa e da própria composição das chapas.

A mudança no número de integrantes da Mesa, portanto, pode ter efeitos que vão além do próximo biênio.

Uma eleição dividida entre dois grupos poderá expor diferenças internas, provocar novos alinhamentos e até gerar desgastes entre vereadores que hoje integram o mesmo campo político.

O processo também poderá ser observado como um dos primeiros movimentos de articulação política com vistas às eleições municipais de 2028, especialmente porque a disputa pelo comando da Câmara costuma revelar alianças, aproximações e distanciamentos que podem influenciar futuras composições eleitorais.

Por enquanto, as possíveis chapas ainda estão no campo das articulações e especulações de bastidores. Mas, diante da nova configuração da Mesa, a eleição para a Presidência da Câmara de Nova Mutum poderá se transformar em uma das disputas políticas mais imprevisíveis do Legislativo municipal nos últimos anos.

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