RS avança no controle de doenças no rebanho leiteiro e se consolida como referência nacional

A agenda técnica do Programa Leite Seguro, realizada no último dia 8, reforçou o protagonismo do Rio Grande do Sul no controle sanitário do rebanho leiteiro brasileiro. O encontro ocorreu na Estação Experimental Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão (RS), e teve como foco o Plano Nacional de Controle e Erradicação da brucelose e tuberculose — duas das principais enfermidades que impactam a produtividade e a sanidade da pecuária.

A programação da tarde reuniu especialistas, técnicos e representantes do setor para discutir estratégias de padronização e avanço das ações em todo o país. Representando o Ministério da Agricultura e Pecuária, Rodrigo Teixeira apresentou um panorama atualizado do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose, destacando as diferenças de execução entre os estados brasileiros e a necessidade de nivelamento das ações.

Segundo ele, o Brasil já possui um sistema de classificação consolidado, que varia de A — com menor incidência de animais positivos — até D, além da categoria E, destinada a regiões ainda sem estudos de prevalência. “A intenção é mostrar as diferenças de execução entre todos os estados brasileiros, nivelar essas ações e entender como está a classificação entre eles”, explicou.

Dentro desse cenário, o Rio Grande do Sul aparece como destaque. “O RS é um dos estados que está em melhor execução”, afirmou Teixeira, ressaltando o ritmo consistente de vacinação e testagem adotado no estado. Esse desempenho coloca o território gaúcho como referência nacional no controle dessas doenças, reforçando o papel estratégico da região na sanidade animal.

Apesar dos avanços, o representante do ministério enfatizou que o processo exige visão de longo prazo. Estudos projetam um horizonte de 20 a 30 anos para o controle efetivo das enfermidades, seguido pela etapa de erradicação. A meta final é ambiciosa: estabelecer, futuramente, zonas livres de brucelose e tuberculose no Brasil, o que elevaria o padrão sanitário da produção leiteira nacional a níveis internacionais.

A programação também destacou a integração entre políticas públicas. O chefe da Divisão de Desenvolvimento Rural do RS, Roberto Lucena, apresentou a articulação entre o controle sanitário e o Programa Mais Leite Saudável, além de abordar iniciativas complementares como o PROMAQ, voltado à mecanização agrícola no estado. A proposta é fortalecer não apenas a sanidade, mas toda a cadeia produtiva do leite, ampliando eficiência e competitividade.

Encerrando a agenda, os participantes realizaram uma visita técnica ao Laboratório de Campo (LabCampo), estrutura vinculada ao Sistema de Pesquisa e Desenvolvimento em Pecuária Leiteira (Sispel). Inaugurado em 2025, o espaço representa um avanço significativo em pesquisa aplicada, com foco no bem-estar animal e na produtividade.

Guiados pela pesquisadora Maira Zanela, os visitantes conheceram instalações modernas voltadas à raça Jersey, incluindo sistemas de alojamento como compost barn e free stall, além de áreas dedicadas a estudos em nutrição, saúde e reprodução. O LabCampo integra uma trajetória de mais de 30 anos de pesquisas do Sispel, consolidando o sul do Rio Grande do Sul como um dos principais polos de inovação na pecuária leiteira do país.

Ao reunir ciência, políticas públicas e integração entre instituições, o encontro evidenciou que o caminho para a erradicação de doenças no rebanho brasileiro passa por planejamento de longo prazo, cooperação entre estados e investimento contínuo em pesquisa e tecnologia.

Compartilhar

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Telegram
Imprimir

últimas Notícias

plugins premium WordPress