
Em 1982, quando a seleção de Telê Santana encantou o mundo, mas não levou a Copa, a identificação da torcida com a camisa amarela estava no auge. Com o título de 1994, nos Estados Unidos, chegava ao fim uma fila de vinte e quatro anos, sendo que 70 milhões de brasileiros viram a equipe nacional ser campeã pela primeira vez. Começava, então, uma nova fase de glorias no futebol. Depois do tetra, foram mais duas finais consecutivas e a conquista do penta, em 2002. Para o mundial na Alemanha, quatro anos depois, existia uma grande expectativa em relação ao “quadrado mágico”, formado por Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Adriano. Entretanto, os ares de bagunça na concentração de Weggis foram os regentes do fracasso naquele mundial.
Fora dos gramados, vieram o impeachment da presidente Dilma Rousseff, a Operação Lava Jato e a eleição de Jair Bolsonaro. O grupo político do ex-presidente se apropriou da camisa amarela da seleção. As campanhas pífias nos mundiais de 2018, na Rússia, e 2022, no Qatar, só aumentaram a descrença em relação ao selecionado.
Apesar de todo esse cenário, a convocação de Neymar por Carlo Ancelotti, na semana passada, mostrou que a seleção brasileira ainda atrai as atenções, pelo menos, nas redes sociais, inundadas de intensas discussões. Foi assim, também, quando surgiu a história de que a equipe poderia adotar a camisa vermelha como uniforme reserva. Enfim, o quadro é complexo e creio que falta um debate mais amplo sobre a relação da torcida com o selecionado nacional. Sobre o futuro, a conquista do hexa poderá representar o primeiro passo para que a realidade começe a mudar.


