Depois de atravessarem o último trimestre do ano passado em relativa estabilidade, os preços do suíno vivo iniciaram 2026 em forte movimento de queda, refletindo um cenário de enfraquecimento simultâneo das demandas interna e externa. A retração nas compras reduziu o ritmo de escoamento da produção e aumentou a pressão sobre as cotações, afetando diretamente a margem dos produtores logo no primeiro mês do ano.
Mesmo diante desse contexto desafiador, o desempenho do comércio exterior trouxe sinais mistos ao setor. Embora o volume exportado em janeiro tenha apresentado recuo significativo na comparação com dezembro, o total embarcado no primeiro mês do ano atingiu recorde histórico para o período, demonstrando que a demanda internacional segue relevante para a sustentação da cadeia produtiva, ainda que sujeita a oscilações pontuais ao longo dos meses.
A desvalorização do suíno vivo também impactou diretamente a relação de troca com os principais insumos da atividade, especialmente milho e farelo de soja. Em janeiro, esse indicador permaneceu desfavorável ao produtor e acumulou quatro meses consecutivos de deterioração, evidenciando o aumento do custo relativo de produção frente ao valor recebido pela venda dos animais.
No mercado de proteínas, o comportamento dos preços alterou o nível de competitividade entre as carnes. A queda nas cotações da carcaça especial suína, somada à leve valorização da carne bovina, ampliou a competitividade da proteína suinícola frente à bovina. Em relação ao frango, a desvalorização ainda mais acentuada do suíno também favoreceu a proteína suinícola, fortalecendo sua posição no consumo doméstico ao longo de janeiro.


