Produzir frango fica mais caro no Brasil e ração já consome quase 64% dos custos das granjas

O custo para produzir frango no Brasil voltou a subir e um item específico está pressionando cada vez mais o orçamento dos produtores: a ração.

Levantamento divulgado pela Embrapa Suínos e Aves mostra que o custo de produção do frango de corte aumentou em agosto, impulsionado principalmente pela alta dos insumos utilizados na alimentação das aves. Hoje, a ração já representa praticamente dois terços de todo o custo para produzir um quilo de frango.

Os números ajudam a explicar uma preocupação crescente dentro da cadeia produtiva. Embora o Brasil continue sendo uma potência mundial na produção e exportação de carne de frango, os custos operacionais seguem avançando e exigindo maior eficiência das granjas para manter a rentabilidade.

O que está ficando mais caro?

No Paraná, principal referência nacional para a avicultura de corte, o custo de produção passou de R$ 4,77 para R$ 4,85 por quilo entre julho e agosto, uma alta de 1,56%.

O aumento foi puxado principalmente pelos gastos com alimentação das aves.

Segundo a Embrapa, a ração respondeu por 63,87% de todo o custo de produção registrado em agosto e apresentou aumento de 3,77% no mês.

Em termos práticos, isso significa que, para cada R$ 100 gastos na criação de frangos, quase R$ 64 estão relacionados à alimentação dos animais.

Nos últimos 12 meses, os custos com ração acumulam alta superior a 5%.

Pressão sobre o setor produtivo

A elevação dos custos ocorre em um momento de atenção para produtores e empresas do setor.

Mesmo pequenas variações nos gastos com alimentação têm grande impacto na atividade, já que a ração representa a principal despesa da produção avícola.

Além da alimentação, os produtores monitoram constantemente fatores como energia elétrica, combustível, mão de obra, transporte, sanidade animal e aquisição de pintainhos.

Embora o custo dos pintainhos de um dia tenha apresentado queda em agosto, o acumulado dos últimos 12 meses ainda registra aumento significativo.

Suinocultura também sente o impacto

O movimento não ficou restrito às granjas de frango.

Na suinocultura, Santa Catarina — estado utilizado como referência nacional para os cálculos do setor — também registrou aumento nos custos de produção.

O custo do suíno vivo passou de R$ 6,29 para R$ 6,35 por quilo em agosto.

Mais uma vez, a alimentação aparece como o principal fator de pressão.

A ração respondeu por 72,53% dos custos totais da atividade, confirmando que a nutrição animal continua sendo o componente mais relevante para a sustentabilidade econômica das granjas.

O que isso significa para Mato Grosso?

Embora os dados mensais tenham como referência Paraná e Santa Catarina, Mato Grosso também integra o sistema de monitoramento da Central de Inteligência de Aves e Suínos da Embrapa.

O estado ocupa posição estratégica na produção nacional de grãos, especialmente milho e soja, matérias-primas fundamentais para a fabricação de ração animal.

Por isso, qualquer alteração nos custos de alimentação tem reflexos diretos sobre a competitividade das cadeias de aves e suínos instaladas em território mato-grossense.

Além disso, Mato Grosso vem ampliando sua participação tanto na produção de proteínas animais quanto no fornecimento de insumos para a indústria nacional.

O desafio da eficiência

Especialistas do setor avaliam que o cenário reforça a importância da gestão técnica e financeira dentro das propriedades rurais.

Com margens cada vez mais apertadas, controlar desperdícios, melhorar índices produtivos e acompanhar os custos em tempo real tornou-se uma necessidade para produtores de todos os portes.

Os dados divulgados pela Embrapa mostram que, embora a produção brasileira continue crescendo e mantendo protagonismo internacional, a rentabilidade das granjas depende cada vez mais da capacidade de administrar custos que seguem pressionando o setor.

E, pelo menos por enquanto, a alimentação dos animais continua sendo a conta que mais pesa dentro da porteira.

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