Mato Grosso se consolidou como uma potência global na produção de biocombustíveis, liderando a fabricação de etanol a partir do milho e da cana-de-açúcar no Brasil. Mas mesmo sendo um dos principais polos produtores, o estado não está imune às flutuações de preços no mercado nacional. Para entender o valor final na bomba, é preciso considerar não apenas a colheita, mas também logística, tributação e a paridade com o mercado internacional de energia.
Na semana encerrada em 21 de março, o preço do etanol aumentou em 23 estados, caiu em dois e permaneceu estável apenas no Distrito Federal. Mato Grosso, como grande produtor, também foi afetado, refletindo uma das maiores altas registradas na região Centro-Oeste.
Como os preços do etanol são definidos
A dinâmica do preço do etanol hidratado é complexa. Mesmo com oferta interna elevada, o produto sofre impactos diretos das variações do petróleo no mercado internacional. Como o etanol compete com a gasolina, qualquer pressão sobre o barril de Brent tende a influenciar os reajustes das distribuidoras, afetando a competitividade do biocombustível para o consumidor.
Apesar da proximidade das usinas, o preço final nos postos mato-grossenses é moldado por custos logísticos e pela demanda nacional. As grandes distribuidoras, responsáveis pela maior parte do abastecimento, operam com estoques e fluxos que conectam diferentes regiões. Custos de frete, manutenção de infraestrutura e carga tributária estadual e federal são fatores que impedem que a redução na usina chegue imediatamente ao motorista.
A expansão das usinas de etanol de milho em cidades como Lucas do Rio Verde e Sorriso trouxe maior estabilidade para a oferta durante a entressafra da cana. Essa tecnologia permite que Mato Grosso produza o combustível ao longo de todo o ano, reduzindo a dependência da sazonalidade. No entanto, o preço do milho como commodity global também impacta os custos, tornando o setor sensível ao câmbio e às exportações.
O setor de combustíveis é constantemente monitorado por órgãos reguladores para garantir a livre concorrência e evitar aumentos sem justificativa econômica. O diálogo entre governo federal, distribuidoras e postos é essencial para entender se os reajustes refletem crises internacionais ou problemas logísticos locais. Para o consumidor, a recomendação é acompanhar levantamentos oficiais e identificar os melhores momentos para abastecer.
O recente aumento nos preços levou o governo federal a solicitar explicações às maiores distribuidoras do país, reforçando a importância do monitoramento e da transparência no setor.


