
O empresário e policial civil Messias Rocha de Oliveira publicou, na manhã desta terça-feira (27), um vídeo nas redes sociais em que denuncia uma suposta mobilização para promover o boicote a empresários e pessoas oriundas da região Nordeste que teriam apoiado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições realizadas no último domingo (25).
O caso foi divulgado com exclusividade pelo Alvorada MT na segunda-feira (26) e provocou grande repercussão em Nova Mutum. Desde então, as manifestações nas redes sociais têm dividido opiniões, com comentários favoráveis à iniciativa de boicote e críticas de pessoas contrárias à tentativa de prejudicar cidadãos em razão de suas escolhas políticas.
No vídeo, Messias afirma que grupos estariam organizando listas com nomes de empresários e pessoas de origem nordestina que apoiaram, votaram ou pediram votos para Lula. Segundo ele, a intenção seria estimular a perseguição e o boicote a essas pessoas.
“Está acontecendo uma tremenda covardia aqui no nosso município”, declarou o empresário ao iniciar a gravação, na qual se apresenta como policial civil e proprietário de duas academias de musculação em Nova Mutum.
Messias também criticou o que considera uma tentativa de restringir a liberdade de pessoas que manifestaram apoio político diferente daquele defendido pelos responsáveis pela mobilização.
“Estamos cansados de respeitar as liberdades de todos e não ter as nossas respeitadas minimamente, o nosso voto respeitado”, afirmou.
Messias anuncia mobilização para acolher os alvos do boicote
Durante a manifestação, Messias anunciou que está sendo organizada uma mobilização para acolher as pessoas que estariam sendo atingidas pelas iniciativas de boicote. Segundo ele, a proposta é oferecer apoio e demonstrar que esses cidadãos não estão sozinhos diante da situação.
O empresário também afirmou que pretende reunir pessoas dispostas a se posicionar contra o movimento e destacou a importância da união e da participação de quem discorda desse tipo de atitude.
“Estamos também organizando uma resistência para mostrar que aqui em Nova Mutum tem, sim, muita gente ruim. Tem mais ainda gente boa. E tem pessoas de coragem”, declarou.
Ao final do vídeo, Messias reforçou que pretende ampliar a mobilização em defesa dos empresários e moradores que, segundo sua denúncia, estariam sendo alvo de perseguição por suas posições políticas.
“Não estamos sós. Vocês verão”, concluiu.
Ministério Público do Trabalho comenta publicação do Alvorada MT
A repercussão do caso também chegou ao Ministério Público do Trabalho (MPT). O perfil oficial da instituição comentou na publicação do Alvorada MT no Instagram e esclareceu como atua na prevenção e no enfrentamento ao assédio eleitoral nas relações de trabalho.
Na manifestação, o órgão explicou que o assédio eleitoral pode ser caracterizado por ameaças, constrangimentos ou promessas de vantagens com o objetivo de influenciar a liberdade de escolha política dos trabalhadores.
Segundo o MPT, sua atuação inclui o recebimento e a análise de denúncias, a realização de ações preventivas e a adoção das medidas extrajudiciais e judiciais cabíveis, conforme as particularidades de cada caso.
A instituição também fez uma ressalva importante: o recebimento de uma denúncia não significa que as irregularidades tenham sido comprovadas.
O comentário ainda orienta que denúncias de irregularidades trabalhistas em Mato Grosso, incluindo possíveis casos de assédio eleitoral no ambiente de trabalho, podem ser encaminhadas pelo portal oficial do MPT, no endereço prt23.mpt.mp.br/servicos/denuncias, ou pelo e-mail [email protected].
De acordo com o órgão, a denúncia pode ser apresentada de forma sigilosa e/ou anônima. Para situações estritamente individuais, a orientação é procurar o sindicato da categoria, um advogado ou o Ministério do Trabalho e Emprego, pelo telefone 158.
A manifestação do MPT acrescenta ao debate um alerta sobre a necessidade de identificar eventuais condutas que possam ultrapassar os limites da divergência política e atingir a liberdade de escolha dos trabalhadores.
Repercussão e liberdade de escolha
O episódio amplia o debate sobre os limites da divergência política e seus reflexos nas relações sociais e comerciais de Nova Mutum. A controvérsia envolve relatos de uma possível organização de boicotes motivados por posicionamentos eleitorais, além de manifestações de apoio e indignação nas redes sociais.
O Alvorada MT acompanha a repercussão do caso e poderá atualizar esta reportagem diante de novos esclarecimentos ou manifestações dos envolvidos.


