Uma fonte da Casa Branca declarou nesta quarta-feira (8) que o plano de dez pontos divulgado publicamente pelo Irã não corresponde ao documento recebido por Washington e que serve de base para as negociações.“O documento ao qual a imprensa se refere não é o plano em que estamos trabalhando. Não vamos negociar publicamente”, disse a fonte, que pediu anonimato, após o presidente Donald Trump mencionar um plano “viável” apresentado pelo Irã na terça-feira (7).Pouco antes do fim de seu ultimato contra o Irã, Trump anunciou uma trégua frágil, posteriormente confirmada por Teerã em comunicados separados. Em sua mensagem, o presidente informou que se tratava de um cessar-fogo de duas semanas, que abriria caminho para negociações diretas.
“Recebemos uma proposta de 10 pontos do Irã e acreditamos que ela seja uma base viável para negociar”, explicou ele.
Em seguida, a mídia estatal iraniana publicou um plano de 10 pontos que inclui, entre outros pontos, a manutenção do controle iraniano sobre o estratégico Estreito de Ormuz, o fim das sanções internacionais contra o país e a “aceitação” do enriquecimento de urânio. Esses pontos contradizem as declarações públicas de Washington sobre o que o Irã deve fazer.
Fechamento de Ormuz
O Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz para a travessia de petroleiros e informou que pode romper o acordo de cessar-fogo após novos ataques de Israel contra o Líbano, informou nesta quarta-feira a agência semi-oficial iraniana Fars. O novo bloqueio ocorre no dia em que navios haviam cruzado a rota com autorização do Irã, logo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aceitar as condições de Teerã para a trégua.
Pela manhã, o fluxo marítimo havia sido liberado. Com a permissão de trânsito concedida pelo Irã, os navios de carga NJ Earth e Daytona Beach atravessaram o estreito. A região é uma rota pela qual passa 20% do comércio mundial de petróleo e gás natural e que registrava uma queda de 95% na circulação de embarcações desde o início do conflito.
Após os ataques no Líbano, uma fonte do governo declarou à agência Tasnim que o Irã considera retirar-se do acordo temporário. A fonte afirmou que a suspensão de ataques em todas as frentes, incluindo ações contra o Líbano, era parte do plano de cessar-fogo de duas semanas mediado e aceito pelos Estados Unidos. O Irã tratou as ações militares desta quarta-feira como uma violação do tratado.
Em decorrência das ações no Líbano, as Forças Armadas do Irã iniciaram a identificação de alvos para uma possível resposta. A fonte do governo informou à Tasnim que o país fará uso da força caso os Estados Unidos não contenham as ações de Israel no Oriente Médio.
“Se os EUA não conseguirem controlar seu cão raivoso na região, o Irã, excepcionalmente, os ajudará nessa questão! E isso será feito pela força”, afirmou a fonte.
Israel não inclui Líbano
Após atacar o sul do Líbano nesta quarta-feira, Israel declarou que o país não está incluído no cessar-fogo com o Irã, patrocinador do Hezbollah. Segundo a Agência Nacional de Informações (ANI, oficial), houve vários ataques contra cidades no sul do país.
Um desses ataques atingiu um prédio na região de Tiro, de acordo com um correspondente da AFP, pouco depois de uma nova ordem de evacuação do exército israelense se referir especificamente àquela área.
O porta-voz do exército em árabe, coronel Avichay Adraee, também ordenou que os moradores de uma vasta área entre a fronteira israelense e o rio Zahrani, cerca de 40 km mais ao norte, saíssem de suas casas, afirmando que “a batalha continua”. As forças israelenses ocupam atualmente uma parte do sul do Líbano.
O exército libanês pediu aos deslocados que “esperassem antes de retornar” ao sul do país, como medida de precaução.
Um correspondente da AFP na região de Tiro viu um pequeno número de pessoas viajando em veículos e famílias com crianças em motocicletas retornando às áreas que haviam deixado no início da guerra.
As incursões e ataques israelenses no Líbano desde 2 de março resultaram em mais de 1.500 mortes e mais de um milhão de deslocados, principalmente do sul e dos subúrbios do sul de Beirute, um reduto do Hezbollah.
Ali Youssef, de 50 anos, acampado nos arredores do subúrbio sul, disse que estava aguardando “um pronunciamento do Hezbollah” antes de decidir retornar para sua casa na área bombardeada por Israel. “O Irã não vai nos abandonar”, afirmou.
Pouco depois, o Hezbollah disse aos deslocados que não devem retornar para suas casas antes que haja um cessar-fogo “oficial e definitivo”.


