O triste nacionalismo de Copa do Mundo

É triste ver um país com tantos problemas, e a população não se indignar com aquilo que realmente importa – segurança pública, falta de saneamento, corrupção, etc

Para alguns brasileiros, o nacionalismo de Copa do Mundo não é motivo de orgulho. Pelo contrário, é triste ver um país com tantos problemas, e a população não se indignar com aquilo que realmente importa – segurança pública, falta de saneamento, corrupção, etc. -, mas se envolver com algo que não muda em absolutamente nada na nossa vida: o futebol.

Se o Brasil ganhar uma copa do mundo, esses problemas não vão desaparecer. O povo vai festejar e se anestesiar por algumas horas, mas, no dia seguinte, continuará convivendo com corrupção, inflação, precariedade de serviços públicos, alta carga tributária e medo de perder o celular e a vida por bandidos que aterrorizam as cidades brasileiras.

Em resumo, o brasileiro paga muito imposto para sustentar uma elite política e de burocratas, que tomam rumos errados da nação, enquanto o Estado não consegue prover o mínimo de educação básica e segurança pública para a população brasileira.

O brasileiro está anestesiado por uma letargia, sem a capacidade de mobilização e de reação em cobrar políticos sobre aspectos econômicos e sociais que envergonham a nação. Nacionalismo de verdade é a capacidade da sociedade em se mobilizar na construção de um futuro mais próspero para o país, e não no choro pela derrota da Noruega.

Aliás, a derrota para o país nórdico nos faz lembrar que hoje não temos absolutamente nada para nos orgulharmos. Nem no futebol.

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