O que pode acontecer com o Brasil se Trump enquadrar PCC e CV como terroristas?

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trumptem dado indicações de que irá enquadrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Durante a Cúpula Escudo das Américas, no início de março, uma integrante do governo norte-americano concedeu entrevista exclusiva ao jornalista Eliseu Caetano, da Jovem Pan News. Na ocasião, a porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Robertson, disse que “todas as cartas estão na mesa” ao ser perguntada sobre a possibilidade de as facções receberem a classificação.Diante da sinalização, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, conversou com o seu homólogo norte-americano, Marco Rubio, sobre cooperação judicial e crime organizado. Segundo o jornal O Estado de S.Pauloo Planalto tem tentado criar canais de confiança com a Casa Branca, mas encontra barreiras pela proximidade dos integrantes do Departamento de Estado com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, como o assessor Darren Beattie.

O governo brasileiro é contra a classificação do PCC e do CV como terroristas por temer operações dos Estados Unidos no Brasil. Em sessão da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, em 18 de março, Mauro Vieira disse que as facções são organizações criminosas por “se aproveitarem para extorquir e obter ganhos financeiros”. Diferente de um grupo terrorista que, segundo o chanceler, “tem algum tipo de inspiração política, o que não é o caso” das quadrilhas.

João Amorim, professor de direito internacional da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), avaliou que o “procedimento” contra as facções brasileiras “é compatível com a postura do governo Trump”. À Jovem Pan, ele disse que o republicano tem utilizado o argumento de combate ao tráfico de drogas para “justificar bombardeios e ataques militares a instalações, embarcações e territórios de outros países”. O especialista adicionou fazer parte do “histórico” dos governos norte-americanos em “classificarem pessoas e organizações como tal, mesmo sem qualquer tipo de respaldo probatório”.

“Basta lembrar que Nelson Mandela foi considerado terrorista e integrou a lista de pessoas e organizações terroristas do Departamento de Estado dos Estados Unidos até 2008”, afirmou Amorim.

Conforme noticiou o jornal norte-americano The New York Times, pessoas próximas a Bolsonaro trabalham para convencer o governo Trump de que o PCC e o CV representam ameaça direta à segurança e aos interesses dos Estados Unidos. De acordo com a publicação, o senador e pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), reuniu-se com autoridades da Casa Branca e do Departamento de Estado no segundo trimestre de 2025.

Na ocasião, Flávio estaria acompanhado do irmão e ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Segundo as informações do jornal norte-americano, o senador, à época presidente da Comissão de Segurança Pública do Senado, apresentou um relatório sobre as atividades de facções no Brasil e nos Estados Unidos.

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