Novo tarifaço de Trump ameaça 54% das exportações brasileiras aos Estados Unidos

Um levantamento realizado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) mostrou que as novas tarifas propostas pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil podem ampliar para 54,1% a parcela dos produtos do país submetidos a alguma taxação adicional no comércio com os americanos.

Segundo a entidade, as novas taxas (uma de 25%, sob a alegação de que as práticas comerciais do Brasil são desleais em uma série de questões, desde o comércio digital até o desmatamento ilegal; e uma de 12,5%, por falha no combate ao trabalho forçado) podem afetar 35,2% das exportações brasileiras aos EUA.

Segundo a projeção, 31,6% das importações passariam a ter uma tarifa de 37,5% (a soma das duas novas taxas), o que representaria um aumento de 27,5 pontos percentuais à tarifa já vigente, de 10%. Os 3,6% restantes passariam a ser penalizados com uma tarifa de 12,5%.

Hoje, de acordo com a CNI, 18,9% das exportações brasileiras aos Estados Unidos já sofrem com alguma tarifa adicional.

As propostas sugeridas pelos EUA ainda não entraram em vigor. A decisão final será anunciada na primeira quinzena de julho.

Até lá, os americanos vão promover duas audiências públicas com o objetivo de discutir as medidas e receber contribuições de empresas, entidades e governos

Alvos das tarifas

O relatório da CNI lista os produtos que ficariam mais caros em caso de aprovação das novas tarifas. A lista considera as exceções divulgadas pelo USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos, na sigla em inglês) e as exportações que já estão sujeitas às medidas da Seção 232, item da Lei de Expansão Comercial que já está em vigor.

 

No caso de tarifas de 37,5%, podem ser impactados os seguintes itens:

Ferro gusa não ligado;
Sebo não comestível;
Álcool etílico não desnaturado;
Açúcar de cana em formato sólido;
Molduras de madeira padrão de pinho.

 

Já as tarifas de 12,5% podem passar a valer para:

Silício;
Lajes de quartzito;
Óleos essenciais de frutas cítricas;
Pelotas de minério de ferro aglomeradas;
Pasta de madeira química, sulfato ou soda, graus para dissolução.

Em 2024, o ferro-gusa movimentou US$ 1,5 bilhão das exportações brasileiras com destino aos Estados Unidos.

Alegações contra o Brasil

As novas sanções tarifárias do governo de Donald Trump têm caráter punitivo e chegam junto a investigações.

 

O governo americano afirmou ter encontrado “irregularidades” em práticas do comércio brasileiro, dentre outras, ligadas à pirataria, desmatamento e ao Pix.

 

Dentre as acusações estão:

Concorrência desleal entre o Banco Central e bandeiras de cartões de crédito estadunidenses, por meio do Pix;
Tentativa de regulação brasileira de empresas dos EUA ligadas à gestão de redes sociais;
Comércio desleal em favor de México e Índia;
Falha quanto aos índices de desmatamento;
Falta de acesso ao mercado de etanol brasileiro; promoção da pirataria; e
Crescimento de corrupção no território brasileiro.

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