A investigação sobre a suposta prática de “rachadinha” envolvendo o vereador Cristiano Bicô (REPUBLICANOS) ganhou novos contornos na manhã desta sexta-feira (29), após uma entrevista do vereador Ricardo Schneider (PL), presidente da Comissão de Investigação da Câmara, à Rádio Meridional. Ricardo revelou fatos inéditos que podem mudar a percepção pública sobre o caso, que vem agitando os bastidores políticos de Nova Mutum.
Durante a entrevista aos jornalistas Wesley Moreno e Mauro Fonseca, Ricardo afirmou que o ex-assessor parlamentar Getúlio Siqueira, responsável por denunciar o suposto esquema, foi demitido não por suas denúncias, mas por ter ameaçado de morte o vereador Cristiano Bicô em ambiente público. “Ele verbalizou, para todos ouvirem, que mataria o vereador Cristiano. Uma atitude grave, que não deixou escolha ao presidente da Câmara, Lucas Badan, a não ser sua exoneração imediata”, explicou Ricardo.
O caso está sob análise da 2ª Promotoria Cível, que já recebeu todos os depoimentos das partes envolvidas, além de documentos como extratos bancários e outras provas. O site Power Mix confirmou que o relatório final da Comissão de Investigação, elaborado pela vereadora relatora Jaiane Santos, já está pronto. O documento tem 30 páginas e será lido em sessão extraordinária marcada para a próxima terça-feira, 2 de setembro, às 8h da manhã.
GETÚLIO PODE TER SE PRECIPITADO
Fontes ligadas à investigação indicam que Getúlio pode ter se envolvido em uma denúncia infundada e, ao perceber a gravidade da situação, não teria mais conseguido recuar. Depoimentos obtidos com exclusividade pelo Power Mix mostram o ex-assessor aparentemente confuso ao falar sobre seus vencimentos. Em uma das falas, Getúlio questiona por que os outros assessores ganhavam quase R$ 11 mil, enquanto seu salário, que era pouco mais de R$ 8.500, teria caído para R$ 6.290.
Contudo, especialistas apontam que esse abatimento está relacionado a descontos legais em folha, como Imposto de Renda, INSS e outros encargos, o que não configura apropriação indevida de salário por parte do parlamentar que o indicou ao cargo. “Parece que houve uma decepção em relação ao salário líquido, o que pode ter influenciado sua motivação para fazer a denúncia”, disse uma fonte próxima à investigação.
Em outro momento contraditório, Getúlio nega de forma veemente ter participado de qualquer esquema de rachadinha, mas logo em seguida afirma que “quer que Cristiano perca o mandato”, declaração que levanta dúvidas sobre a real intenção da acusação.
SESSÃO DECISIVA À VISTA
A próxima terça-feira promete ser um dia histórico na política mutuense. A sessão extraordinária contará com a leitura do relatório e o tempo de fala de cada vereador será limitado a até 15 minutos. As partes envolvidas também terão espaço para apresentar suas razões, o que deve prolongar a sessão ao longo do dia.
A expectativa é que a Comissão apresente sua conclusão sobre a conduta do vereador Cristiano Bicô e, dependendo do teor do relatório e do posicionamento dos demais parlamentares, o processo pode culminar na cassação do mandato.
Enquanto isso, a cidade acompanha atenta cada desdobramento de um dos mais polêmicos escândalos políticos já registrados em Nova Mutum. O clima nos bastidores da Câmara é de tensão, e a opinião pública se divide entre os que acreditam na culpa do vereador e os que enxergam uma possível armação motivada por interesses pessoais.
A verdade, ao que tudo indica, está prestes a vir à tona.