
Dois trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão em uma propriedade rural de Santa Cruz do Xingu, a 1.092 km de Cuiabá. A fiscalização ocorreu entre os dias 5 e 11 de agosto, durante a Operação Resgate VI.
A ação foi realizada por auditores-fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com participação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal.
Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, os trabalhadores estavam alojados em uma estrutura de madeira construída ao lado de um curral. O espaço tinha quatro quartos e apenas um banheiro. Durante a inspeção, os fiscais identificaram fezes de roedores, insetos, restos de comida espalhados pelo chão e sobre as camas, além de forte odor vindo do curral.
Os dormitórios tinham colchões velhos e sujos, pedaços de espuma usados como travesseiros, pouca ventilação e não possuíam armários nem roupas de cama adequadas. O banheiro também apresentava condições precárias, com grande quantidade de moscas, ausência de água quente, descarga sem funcionamento, falta de limpeza e de itens básicos de higiene.
Outro problema apontado pela fiscalização foi a fiação elétrica improvisada, considerada de alto risco para choques e incêndios.
Alojamento foi interditado
Diante das condições encontradas, o alojamento foi totalmente interditado. Segundo a fiscalização, o espaço só poderá voltar a ser utilizado após passar por reforma, adequação das instalações elétricas, controle de pragas, limpeza e instalação de mobiliário adequado.
Os dois trabalhadores foram retirados imediatamente da propriedade e encaminhados para um hotel na região.
As despesas com hospedagem, alimentação e passagens para o retorno às cidades de origem ficaram sob responsabilidade do empregador. Os trabalhadores também foram encaminhados à rede de proteção social. A fiscalização determinou ainda a formalização dos contratos de trabalho no eSocial, com recolhimento retroativo de FGTS, contribuições previdenciárias e pagamento das verbas rescisórias.
As vítimas também terão direito ao seguro-desemprego especial destinado a trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão.
Mato Grosso teve 627 resgatados em 2025
Dados da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego apontam que 627 trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão em Mato Grosso em 2025.
No mesmo período, 716 pessoas tiveram vínculos trabalhistas formalizados após fiscalizações. Foram realizadas 34 operações, com ações em setores como atividade rural, garimpo, construção civil e exploração sexual.
Os resgates ocorreram em municípios como Porto Alegre do Norte, Cuiabá, Nova Bandeirantes, Nova Maringá, Sorriso, Chapada dos Guimarães e Cláudia. O maior caso registrado naquele ano ocorreu em Porto Alegre do Norte, onde 586 trabalhadores foram resgatados de um canteiro de obras após um incêndio em um alojamento revelar condições degradantes e jornadas consideradas exaustivas.
Denúncias sobre trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma anônima pelo Sistema Ipê, canal oficial utilizado para receber informações e encaminhá-las às equipes de fiscalização.


