
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), criticou indiretamente o ex-governador Mauro Mendes (União) por ter abandonado a obra do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), e decidido implementar o BRT como modal substituto. Para Lula, esse seria um exemplo de “irresponsabilidade” e desperdício de dinheiro público com obras paralisadas no país, e de políticos que não dão continuidade em obras por ter sido iniciadas em outras gestões ou adversários.
“[O governador disse] Não vou fazer VLT, vou fazer acho que um BRT. E ficou encaixotado o trem, até que a Bahia resolveu fazer, e soube que estava parado. Foi lá e comprou com 40% de desconto. E o que aconteceu? O treino na Bahia tá funcionando, enquanto nem o VLT, nem o BRT, nem qualquer coisa está funcionando em Cuiabá, porque não foi feito”, disse o presidente durante o anúncio de medidas econômicas para sustentar o crescimento habitacional no Brasil na quarta-feira (15).
Ele afirmou que chegou a andar no VLT, que foi vendido para o Estado da Bahia e que já está funcionando em Salvador. “Eu fui a Salvador inaugurar o trem de Salvador, o VLT de Salvador e andei no VLT lá. Mas me o que eu fiquei sabendo em Salvador. Aquele VLT, ele foi comprado para ser montado no Mato Grosso em função da Copa do Mundo de 2014, como era obra do outro governador, o governador não quis fazer”, pontuou.
Para Lula a postura do ex-governador Mauro Mendes em desistir do VLT, foi uma irresponsabilidade. “É a irresponsabilidade de alguém deixar de fazer uma obra, porque não foi ele que planejou, porque não foi ele que projetou, porque não foi ele que deu ordem de serviço”, continuou ao citar inúmeras obras paralisadas que encontrou quando assumiu o seu terceiro mandato em janeiro de 2023.
“Vocês sabem que nós encontramos 87 mil casas do minha casa, minha vida paralisadas. Nós encontramos entre obras de escola, escola e creche quase 6 mil paralisadas, coisa que poderia estar funcionando e coisa que a gente poderia estar duplicando”, concluiu.
Apesar da crítica ao ex-governador Mauro Mendes, as obras do VLT foram paralisadas em dezembro de 2014, ainda sob administração do ex-governador Silval Barbosa. Após o ex-governador Pedro Taques assumiu o governo em 2015, ele não deu continuidade nas obras por conta de várias ações judiciais na justiça estadual e federal. Já em 2017, ele chegou a realizar um acordo para retomar a obra.
Porém, após a deflagração da Operação Descarrilho, que investigou propina na obra, ele decidiu romper unilateralmente o contrato. Já em 2019, Mauro Mendes foi assumiu o governo com a promessa de resolver a novela do VLT que estava com mais 70% da obra concluída.
Já em dezembro de 2020, decidiu abandonar a obra e implementar o BRT, que até o momento não foi concluso e tem menos de 30% de sua obra concluída. O VLT foi projetado para a Copa do Mundo de 2014, no valor de R$ 1.084 bilhão. Já em 2024, os vagões foram vendidos por R$ 793,7 milhões.

