O preço do leite captado em junho subiu pelo sexto mês consecutivo, encerrando o primeiro semestre com alta real acumulada de 33,1%, segundo levantamento do Cepea. A “Média Brasil” ficou em R$ 2,7464 por litro, avanço de 3,02% em relação a maio, já considerando os efeitos da inflação.
Apesar da recuperação ao longo do ano, o valor ainda ficou 0,86% abaixo do registrado em junho de 2025. Na média do primeiro semestre, o produtor recebeu R$ 2,4659 por litro, valor 14% inferior, em termos reais, ao observado no mesmo período do ano passado.
UHT ganha força no atacadoNo mercado atacadista paulista, os produtos lácteos apresentaram comportamentos diferentes em julho. Em pesquisa realizada pelo Cepea em parceria com a OCB, o leite UHT registrou alta de 7,35%, alcançando preço médio de R$ 4,88 por litro.
As variações observadas tanto no acumulado do mês quanto nas negociações semanais indicaram maior firmeza do produto, acompanhando o movimento de recuperação do mercado de leite cru.
Importações e exportações avançam
O comércio exterior também apresentou movimentação em julho. As importações brasileiras de lácteos cresceram 9,01%, alcançando 236,3 milhões de litros em equivalente-leite (EqL).
As exportações avançaram ainda mais no mês, com alta de 17,43%, totalizando 5,27 milhões de litros EqL.
Na comparação com julho de 2025, entretanto, o cenário foi diferente: as compras externas aumentaram 33,49%, enquanto os embarques brasileiros recuaram 5,55%.
O crescimento do comércio foi impulsionado principalmente pelas movimentações envolvendo queijos e leite em pó.
Custos permanecem praticamente estáveis
Do lado dos custos, a atividade leiteira apresentou relativa estabilidade. O Custo Operacional Efetivo (COE) registrou queda de apenas 0,31% entre junho e julho, mantendo-se praticamente estável pelo segundo mês consecutivo na média das regiões acompanhadas pelo Cepea.
Entre as praças analisadas, Minas Gerais teve a maior redução, de 1,1% no período.
O cenário combina, portanto, recuperação do preço recebido pelo produtor ao longo de 2026, maior firmeza do leite UHT no atacado e estabilidade dos custos operacionais, enquanto o mercado externo mantém fluxo relevante de importações e exportações.


