Irã nega ameaça nuclear e critica discurso de Trump

O Irã rebateu nesta quarta-feira (25) as “grandes mentiras” americanas, depois que o presidente Donald Trump acusou Teerã de desenvolver mísseis capazes de alcançar os Estados Unidos e de prosseguir com as “sinistras ambições nucleares”.vvvv

Antes da retomada, na quinta-feira (26), de um novo ciclo de negociações em Genebra com mediação de Omã, o presidente americano afirmou, no entanto, que dará prioridade à via diplomática, enquanto a República Islâmica chegou a considerar que um acordo está “ao alcance da mão”.

Washington intensificou as ameaças de ataque caso um acordo não seja alcançado e enviou um grande dispositivo militar à região do Golfo, que inclui porta-aviões.

“O que estão alegando a respeito do programa nuclear iraniano, dos mísseis balísticos do Irã e do número de mortos durante os distúrbios de janeiro é simplesmente a repetição de ‘grandes mentiras’”, afirmou na rede social X o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, em referência também a uma onda de protestos que culminou em uma violenta repressão das autoridades.

Na terça-feira à noite, Trump afirmou durante seu discurso sobre o Estado da União que Teerã já “desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa” e as bases americanas no exterior. Além disso, acusou o país de trabalhar para “construir mísseis que em breve alcançarão os Estados Unidos”.

“Oportunidade histórica”

“Atualmente, eles seguem adiante com suas sinistras ambições nucleares”, alertou o mandatário republicano, que tenta alcançar um acordo que garanta, em particular, que o Irã não desenvolva armas atômicas.

“Minha preferência é resolver este problema por meio da diplomacia, mas uma coisa é certa: nunca permitirei que o principal patrocinador do terrorismo no mundo, que é, de longe, o Irã, tenha uma arma nuclear”, reiterou diante do Congresso.

“Eles querem chegar a um acordo, mas não ouvimos as palavras-chave: ‘Nunca teremos uma arma nuclear’”, acrescentou.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbass Araghchi, declarou na terça-feira que o país está “determinado a alcançar um acordo justo e equitativo, o mais rápido possíveç”.

“Temos uma oportunidade histórica de alcançar um acordo sem precedentes que aborde as preocupações de ambas as partes e os interesses mútuos”, escreveu Araghchi em uma publicação no X.

O ministro iraniano afirmou que chegar a um entendimento está “ao alcance da mão, mas somente se a diplomacia for priorizada”.

Manifestações estudantis

Teerã nega ter ambições nucleares militares, mas insiste em seu direito ao uso civil da energia nuclear, com base no Tratado de Não Proliferação (TNP), do qual é signatário.

Irã e Estados Unidos, que retomaram o diálogo em 6 de fevereiro em Omã, organizaram cinco rodadas de negociações nucleares no ano passado, mas os encontros foram interrompidos pela guerra de 12 dias desencadeada em junho por um ataque israelense, durante a qual Washington bombardeou instalações nucleares iranianas.

O presidente dos Estados Unidos também acusou as autoridades iranianas de matar 32.000 pessoas na repressão à onda de protestos sem precedentes que atingiu o ponto máximo nos dias 8 e 9 de janeiro.

As autoridades iranianas reconhecem mais de 3.000 mortos nas manifestações, mas atribuem a violência a “atos terroristas” orquestrados pelos Estados Unidos e por Israel.

A organização Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, calcula que mais de 7 mil pessoas morreram na repressão dos protestos. A ONG advertiu, no entanto, que o número real provavelmente é muito mais elevado.

Os estudantes universitários voltaram a protestar em Teerã contra o governo desde o reinício das aulas, no sábado.

A porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, reconheceu na terça-feira que eles têm “o direito de manifestação”, mas alertou que não devem ultrapassar alguns “limites”.

Vídeos publicados nas redes sociais e verificados pela AFP mostram estudantes queimando a bandeira da República Islâmica e gritando frases como “Morte ao ditador”, em referência ao líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

Segundo um morador de Teerã, entrevistado por um jornalista da AFP que está fora do país, os protestos se limitam às grandes universidades.

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