Indígenas de Mato Grosso protestam pelo fim das obras da Ferrogrão

Indígenas da etnia Panará e Kayapó, de Mato Grosso, marcaram um protesto para esta segunda-feira (4) com o objetivo de defender fim das obras da Ferrogrão, ferrovia que formará o corredor ferroviário de exportação do Brasil pela Bacia Amazônica. O ato deve ocorrer em uma audiência pública na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), em Itaituba-PA.

Além dos povos Panará e Kayapó, também devem participar do protesto os indígenas do povo Munduruku, do Pará. A audiência pública contará com a presença de representantes do Ministério Público, universidade, Funai, Ibama e dos ministérios dos Transportes.

Em um protesto realizado em frente a uma empresa que compra, processa e distribui grãos, Kape Panará, liderança indígena do povo que habita a região de Guarantã do Norte (715 km ao Norte), afirmou que a Ferrogrão irá afetar negativamente a vida dos indígenas.

“A Ferrogrão está aqui para destruir os nossos rios, nossa terra e nossa gente. Por isso estamos juntos aqui lutando contra esse projeto. Nós, Panará, não aceitamos essa ferrovia. Nossos direitos precisam ser respeitados”, disse.

No mesmo ato o cacique Kreton Panará afirmou que os indígenas não foram consultados e disse que seu povo não irá desistir.

“Não aceitamos essa Ferrogrão porque ele é veneno. Se construir a ferrovia, ela vai matar todos nós. Aos governantes: por que vocês não nos consultam? Mas já que não consultam, temos que brigar, lutar com os indígenas. Não temos medo de vocês”.

A Ferrogrão foi criada para escoar as commodities de soja e milho produzidos no Centro-Oeste até os portos da Amazônia, como alternativa “mais barata” ao trajeto até o Porto de Santos. A estrada de ferro deve percorrer quase mil quilômetros de Sinop, em Mato Grosso, até Miritituba, no Pará, modificando o traçado de 17 unidades de conservação e afetar 6 terras indígenas, além de 3 áreas indígenas com presença de povos isolados.

Uma ação judicial contestando a legalidade da Lei nº 13.452/2017, que alterava os limites do Parque Nacional do Jamanxim para permitir a construção da ferrovia, está tramitando no Supremo Tribunal Federal (STF). A inconstitucionalidade da lei já foi apontada pela Advocacia Geral da União (AGU). Em setembro do ano passado, o ministro Alexandre de Moraes suspendeu a tramitação do processo por 6 meses para realização de novos estudos sobre os impactos da obra.

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