Após registrarem avanços expressivos ao longo do primeiro trimestre e atingirem patamares recordes, as cotações dos feijões preto e carioca iniciaram abril em queda. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a CNA, o movimento reflete uma mudança no comportamento do mercado, que agora passa a ser pressionado pela retração da demanda.
Nos três primeiros meses do ano, a oferta limitada foi o principal fator de sustentação dos preços. No entanto, nas últimas semanas, o enfraquecimento da procura passou a pesar sobre as negociações, levando a uma acomodação das cotações. De acordo com pesquisadores do Cepea, o mercado atravessa um momento de transição, em busca de um novo ponto de equilíbrio entre oferta e demanda.
Esse ajuste ocorre em meio à lenta transmissão de preços entre a indústria e o varejo, o que dificulta uma recomposição mais rápida do consumo. Ao mesmo tempo, o setor também acompanha a transição para a segunda safra, especialmente diante das incertezas climáticas na região Sul do país, fator que pode influenciar tanto a produção quanto a formação de preços nas próximas semanas.
No cenário externo, os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam desempenho positivo das exportações brasileiras de feijão. Em março, foram embarcadas 27,28 mil toneladas, volume 2,4% superior ao registrado em fevereiro e 51,3% maior na comparação com o mesmo mês de 2025, evidenciando o avanço da presença do produto brasileiro no mercado internacional.
Por outro lado, as importações somaram 3,13 mil toneladas no mês, recuo de 17% frente a fevereiro — período em que foi registrado o maior volume desde novembro de 2023. Ainda assim, o total importado permanece elevado, cerca de quatro vezes superior ao observado em março do ano passado, indicando que o mercado interno segue complementando sua oferta com produto externo.
O cenário atual revela um mercado mais equilibrado, porém sensível a fatores como consumo doméstico, ritmo da nova safra e condições climáticas, que devem continuar ditando o comportamento dos preços no curto e médio prazo.


