O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado de Mato Grosso (Gaeco) deflagrou, ontem, quinta-feira (13), a terceira etapa da Operação Safra Desviada, investigação que apura um suposto esquema criminoso relacionado ao desvio de cargas de grãos pertencentes ao Grupo Lermen. Entre os alvos das medidas judiciais está um empresário de Lucas do Rio Verde, proprietário de uma empresa ligada ao setor agrícola.A operação mobilizou equipes para o cumprimento de mandados de busca e apreensão em seis municípios: Lucas do Rio Verde, Sorriso, Sinop, Boa Esperança do Norte, Ipiranga do Norte e Tabaporã.
Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 120 milhões em bens e ativos financeiros vinculados aos investigados. As ordens foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias do Polo de Sinop.
Conforme as informações divulgadas pelo Gaeco, as suspeitas indicam que o grupo teria
uma atuação organizada para facilitar o desvio de cargas de grãos. A investigação aponta que os envolvidos teriam se aproveitado das funções exercidas dentro das empresas relacionadas ao caso para viabilizar as irregularidades.
Empresário já havia sido investigado em outra operação
O empresário de Lucas do Rio Verde também esteve entre os investigados na Operação Ignis Justiça, realizada em dezembro de 2025. Na ocasião, a apuração envolvia suspeitas de furto de energia elétrica, corrupção, estelionato, adulteração de equipamentos de medição e fraude processual.
Durante aquela operação, o empresário chegou a ser preso e posteriormente obteve liberdade após o pagamento de R$ 1 milhão em fiança.
Segundo informações divulgadas na época pela Polícia Civil e pela concessionária Energisa, a quantidade de energia que teria sido desviada seria equivalente ao consumo de uma cidade do porte de Chapada dos Guimarães durante aproximadamente cinco meses.
Operação já apurou prejuízos milionários
A Safra Desviada teve sua primeira fase deflagrada em fevereiro. Naquele momento, o Gaeco investigava um esquema de desvio de grãos que teria provocado prejuízos estimados em R$ 140 milhões ao Grupo Lermen e a outras
do segmento agrícola.
Na primeira etapa, foram cumpridas 180 medidas cautelares em nove municípios de Mato Grosso, entre eles Lucas do Rio Verde, Sorriso, Sinop, Nova Mutum, Colíder, Nova Ubiratã, Boa Esperança do Norte, Campo Verde e Cuiabá.
A segunda fase ampliou as investigações e teve como foco outro núcleo suspeito de envolvimento em desvios de cargas, com prejuízo estimado em R$ 28,7 milhões. Na ocasião, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão, além de medidas destinadas a atingir o patrimônio dos investigados.
As ações ocorreram em Lucas do Rio Verde, Nova Ubiratã, Sinop e Tapurah, em Mato Grosso, e também nos municípios paulistas de Presidente Prudente e Álvares Machado.
As investigações continuam e os envolvidos são considerados suspeitos até eventual decisão judicial definitiva.


