
A campanha eleitoral de 2026 em Mato Grosso, na disputa pelo Governo do Estado e pelas cadeiras do Senado, corre o risco de ficar marcada menos pelas propostas e mais pela escalada de ataques entre adversários. O que deveria ser um espaço para apresentar projetos, discutir prioridades e mostrar ao eleitor quais caminhos cada candidatura pretende seguir transformou-se, em muitos momentos, em um verdadeiro campo de guerra político. O problema não está no confronto de ideias, que é saudável em uma democracia, mas na substituição do debate programático por ofensas, acusações e tentativas de desmoralização dos adversários.
O tom chegou a um nível preocupante, com deputados utilizando a tribuna e os espaços políticos para xingar adversários e chamar ex-governador de “ladrão”. Independentemente da posição política de cada eleitor, acusações dessa gravidade exigem responsabilidade e não podem ser tratadas simplesmente como instrumento de campanha. Quando a política passa a premiar quem consegue atacar mais forte, cria-se um ambiente no qual a agressividade pode acabar sendo confundida com competência e a destruição da imagem do adversário passa a valer mais do que a apresentação de um projeto para governar.
Enquanto os grupos políticos trocam acusações, o eleitor fica no meio dessa disputa. Em vez de ouvir claramente o que os candidatos pretendem fazer para melhorar a saúde, a educação, a segurança, a infraestrutura e as condições de vida da população, muitas vezes recebe uma enxurrada de ataques e provocações. A lógica do “quem joga mais lama no outro ganha mais holofote” pode até produzir manchetes e repercussão momentânea, mas não responde às perguntas que realmente importam para quem vai escolher o próximo governador e os próximos senadores de Mato Grosso.
E talvez o aspecto mais preocupante esteja justamente nos debates. O eleitor deveria encontrar nesses encontros uma oportunidade privilegiada para comparar ideias, propostas e compromissos. Quando o debate se transforma em troca de acusações e xingamentos, todos perdem: candidatos, imprensa e, principalmente, a população. Mato Grosso não precisa de uma eleição em que o vencedor seja definido por quem grita mais alto ou agride mais o adversário. Precisa de uma disputa em que os candidatos sejam cobrados pelo que pretendem fazer, por como pretendem fazer e, sobretudo, pelo compromisso que assumirão diante de uma população que merece muito mais do que uma guerra de palavras.


