
O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) criticou nesta sexta-feira (25) a decisão do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de proibir as bets no Brasil. Durante coletiva de imprensa em Salvador, Cury classificou a medida como “eleitoreira” e relacionou o anúncio ao recente reajuste de 15% do Bolsa Família.
Horas antes, Lula havia editado uma medida provisória proibindo a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no país. A medida atinge tanto apostas esportivas quanto jogos on-line e prevê um período de transição para o encerramento das plataformas autorizadas.
Cury questionou o momento escolhido pelo governo para anunciar as medidas, já na reta final da campanha eleitoral.
“O que o Lula fez no momento, em cima da eleição, é uma pauta eleitoreira, está errado.”
O candidato também citou o aumento do Bolsa Família, anunciado em 17 de setembro, e questionou por que o reajuste não havia sido concedido anteriormente. O aumento de 15% corresponde, segundo o governo, à inflação acumulada pelo INPC desde março de 2023 e começa a ser pago em outubro.
Apesar de criticar a decisão de Lula, Cury afirmou que, caso não exista consenso político para uma proibição total das apostas eletrônicas, o setor deveria enfrentar uma tributação significativamente maior.
Segundo ele, a cobrança poderia ficar entre 50% e 60%, em patamar semelhante ao aplicado a produtos que recebem tributação elevada por seus impactos sociais.
Cury também relacionou as apostas on-line ao risco de dependência psicológica, argumentando que a rapidez das recompensas oferecidas pelas plataformas pode favorecer comportamentos compulsivos.
A classificação da medida como “eleitoreira” é uma avaliação do próprio candidato. Já o governo afirma que a proibição das bets busca enfrentar problemas como endividamento familiar e danos associados ao vício em apostas.

