Como um produtor de Mato Grosso perdeu R$ 58 milhões em esquema com ex-deputado

Uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso revelou os detalhes da Operação Agro-Fantasma, deflagrada nesta quarta-feira (4). O esquema, que parece roteiro de cinema, causou um prejuízo superior a R$ 58 milhões a um único produtor rural de Comodoro (MT). Entre os alvos está o ex-deputado estadual Sérgio Pereira Assis, preso em flagrante durante as buscas em Campo Grande.
Diferente de fraudes comuns, os investigados utilizaram a técnica da “confiança progressiva”. Segundo a polícia, o grupo procurou a vítima durante a colheita de soja de 2025. Inicialmente, realizaram operações menores e pagaram tudo em dia, inclusive esperando a compensação bancária para liberar caminhões.Após conquistar o produtor, o grupo o convenceu a adquirir grãos de terceiros em seu próprio nome, assumindo compromissos que ultrapassaram R$ 70 milhões. Em dezembro de 2025, quando as parcelas mais altas venceram, os pagamentos cessaram abruptamente, deixando o produtor com dívidas gigantescas junto a bancos e cooperativas.

Avião, relógios e munições apreendidas

A operação cumpriu mandados em Cuiabá, Alto Taquari e Campo Grande. Além do golpe com grãos, o produtor relatou a venda de uma aeronave ao grupo por mais de R$ 5,8 milhões, da qual recebeu menos da metade. O avião foi apreendido pelas equipes do Dracco e da Garras.

  • Empresas investigadas: Imaculada Agronegócios e Santa Felicidade Agroindústria.
  • Apreensões: Carros de luxo, relógios de alto valor, dinheiro em espécie e uma aeronave.
  • Prisão: O ex-deputado Sérgio de Assis foi autuado por posse ilegal de munições, mas liberado após pagar fiança.

O outro lado: Defesa alega ameaças

O advogado Miguel Zaim, que representa a família Assis, nega a existência de dívidas e afirma que a “vítima” estaria, na verdade, tentando cobrar juros abusivos. A defesa alega ainda que o agricultor fez ameaças graves contra os sócios e seus familiares, o que motivou o pedido de medidas protetivas contra ele.

A investigação segue sob o comando da Delegacia de Comodoro (MT) para identificar se há outros produtores lesados pelo grupo no “Nortão” e em Mato Grosso do Sul.

 

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