O deputado estadual Gilberto Cattani (PL) apresentou nessa quarta-feira (26) uma moção de repúdio contra a manifestação do governador Mauro Mendes (União) para o Supremo Tribunal Federal (STF) em que o governo do Estado sugere a perda de terras para quem comete crimes de desmatamento ilegal e incêndio proposital.
O documento foi anexado na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) apresentada pelo Psol, em que se cobra medidas efetivas aos governos estaduais para o combate ao incêndio e desmatamentos na Amazônia, Pantanal e Cerrado, e gerou polêmica e resultou em uma ofensiva do governador contra Cattani e a deputada Janaina Riva (MDB), após os dois criticarem a proposta do governo.
“Eu deixo esse requerimento de moção de repúdio e peço que todos possam debater e aprová-la porque não podemos aceitar isso, e como bom oportunista que sou não poderia perder a oportunidade de defender os produtores de Mato Grosso”, disse ironizando o governador que o acusou de ‘oportunismo’ e malandragem.
Cattani também apresentou um requerimento para a realização de uma audiência pública para o dia 31 de março sobre a proposta do governador. A polêmica iniciou na semana passada, quando Janaina Riva e Cattani repercutiram o documento do governo estadual.
Após a repercussão negativa, Mendes gravou um vídeo tentando justificar o pedido e negar que teria incluído crimes de incêndios na proposta apresentada. Sem citar nomes, governador chamou as ações dos políticos criticaram sua proposta, de malandragem, e que seriam mentirosos.
Contudo, o documento assinado pelo governador e pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), defende a ampliação da penalidade para quem planta maconha e coca para produção de cocaína, também para crimes ambientais. “Seria absurdo imaginar que a Constituição admita confisco de propriedade para quem planta alguns hectares de cannabis, mas vedaria tal sanção a quem devasta milhares de hectares de floresta nativa em franca ilegalidade”, diz trecho do documento.
Mendes também criticou políticos corruptos, tentando ligar Janaina ao pai, José Geraldo Riva, que atualmente é colaborador da justiça após admitir diversos crimes.
Em resposta, Cattani afirmou que o governou ‘pegou ar’ e o desmentiu apresentando trechos do documento. Já Janaina foi mais além, já que citou a postura agressiva do governador que já é recorrente quando é criticado. ” Eu tenho muita preocupação com o comportamento do governador, não só comigo, mas com todos aqueles que divergem a opinião dele […], mas eu vejo que quando é comigo, é muito mais forte. Falando, por exemplo, malandragem”, disse.
“Quando a pessoa não aceita uma opinião divergente, aconteceu agora esses dias, usando toda a máquina do Governo para manchar a imagem do desembargador Orlando Perri também, eu fico muito preocupada porque, quando isso acontece, parece que a gente está numa ditadura, quer dizer, ninguém pode fazer um comentário, ninguém pode dar uma sugestão, a gente está desesperada por voto. Olha, fale por você, eu não estou desesperada por voto […]”, completou.
A reação do governador ocorre em meio a sua antecipação nas articulações para o Senado, onde busca ter o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na disputa ao Senado. Porém, a ala bolsonarista de Mato Grosso tem maior entrada no setor, e, uma crise neste momento poderia comprometer um futuro apoio no ano que vem.
Já em relação à Janaina Riva, Mendes já a vê como uma adversária na disputa ao Senado, já que ela também é pré-candidata ao cargo. Tanto que Mendes retirou o espaço do MDB no governo, e articulou para impedir que ela fosse eleita primeiro-secretária da Assembleia, para não fortalecê-la.