
A instalação de câmeras nas entradas de banheiros de uma escola cívico-militar provocou revolta entre estudantes e familiares e virou alvo de investigação da Polícia Civil no Paraná. O caso aconteceu no Colégio Cívico-Militar Érico Veríssimo, em Cambé, no norte do estado, e motivou um protesto na terça-feira (20), quando pais e alunos cobraram explicações da direção.
A denúncia veio à tona na segunda-feira (19), depois que uma estudante percebeu um equipamento instalado na parede do banheiro feminino. Segundo testemunhas, o dispositivo emitia uma luz vermelha e estava escondido atrás de um plástico.
Durante a apuração, alunas relataram que já tinham conhecimento da existência de um equipamento no local há cerca de três anos. Na época, conforme os relatos, a direção teria informado que se tratava de um sensor de fumaça, utilizado para impedir que estudantes fumassem dentro do banheiro.
Alunas teriam trocado de roupa no local
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores é o relato de que estudantes utilizaram recentemente uma área comum do banheiro para trocar de roupa e realizar uma sessão de fotografias da turma. A situação foi mencionada no boletim de ocorrência.
A Secretaria de Educação do Paraná também acompanha o caso. Uma equipe do NRE esteve na instituição na manhã de quarta-feira (21) para verificar a situação e orientar os próximos encaminhamentos.
Direção afirma que câmeras filmavam apenas as entradas
Em nota, a direção do colégio afirmou que os equipamentos estavam direcionados às portas de entrada dos banheiros masculino e feminino e que não captavam os espaços destinados às necessidades fisiológicas dos estudantes. Segundo a instituição, a finalidade seria monitorar os acessos e reforçar a segurança escolar.
A direção também declarou que, conforme as informações levantadas até aquele momento, um estudante teria entrado sem autorização na sala dos monitores militares e acessado o computador utilizado pela equipe, registrando uma imagem que posteriormente foi compartilhada. As circunstâncias desse acesso e da divulgação, segundo o colégio, serão apuradas.
A instituição ainda relatou a retirada forçada dos equipamentos e afirmou que adotará medidas administrativas e os encaminhamentos necessários aos órgãos competentes.
Polícia apura o caso
A Polícia Civil do Paraná investiga a instalação dos dispositivos e as circunstâncias da ocorrência. O caso também é acompanhado pelas autoridades educacionais, que deverão avaliar as medidas cabíveis após a apuração.
Até o momento, não foram divulgadas conclusões sobre a finalidade efetiva dos equipamentos nem sobre eventual responsabilidade criminal. O Ministério da Educação também foi procurado para se manifestar sobre o caso.


