Nos corredores do Palácio Paiaguás, a avaliação entre lideranças governistas é de que o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) entra na corrida pelo Governo de Mato Grosso em posição confortável, mesmo diante da expectativa de uma campanha marcada por ataques, críticas e desgaste natural do embate eleitoral. A leitura predominante é que, superadas as turbulências do processo, Pivetta reúne condições concretas para vencer a eleição marcada para 4 de outubro, ainda que a definição fique para um eventual segundo turnoEsse diagnóstico interno se apoia em um conjunto de fatores políticos e administrativos. O primeiro deles é a vantagem estrutural decorrente da proximidade com o atual governo. Aliados reconhecem que o grupo governista tende a contar com a força da máquina pública, elemento historicamente relevante em disputas estaduais, sobretudo em um cenário de continuidade administrativa.
Outro ponto considerado decisivo é a alta taxa de aprovação do governador Mauro Mendes (União), que deve deixar o cargo dentro de três meses para disputar uma vaga no Senado. A expectativa é que Mendes atue de forma ativa na campanha, funcionando como principal fiador político do projeto sucessório e transferindo capital eleitoral ao seu vice.
Também pesa a favor de Pivetta a imagem construída durante seus três mandatos como prefeito de Lucas do Rio Verde, período frequentemente citado por aliados como exemplo de gestão eficiente, planejamento de longo prazo e capacidade de execução. A estratégia de campanha, segundo interlocutores do governo, deve explorar esse histórico administrativo e associá-lo às entregas realizadas pela atual gestão estadual, com um discurso centrado na continuidade e na estabilidade.
O apoio de setores do agronegócio, especialmente no interior do estado, é outro elemento visto como relevante. A proximidade do grupo governista com o setor produtivo, aliada à agenda econômica adotada nos últimos anos, tende a reforçar a sustentação política da candidatura em regiões estratégicas.
Por fim, integrantes do núcleo governista avaliam que os nomes colocados até agora na disputa ainda não representam uma ameaça consistente. O senador Wellington Fagundes (PL), apesar de aparecer à frente nas pesquisas iniciais, é visto como um adversário conhecido, enquanto a médica Natasha Slhessarenko (PSD) ainda busca ampliar visibilidade e musculatura política no estado.
Nos bastidores, a aposta é clara: mesmo sob fogo cruzado ao longo da campanha, Pivetta chegaria às urnas com vantagem competitiva suficiente para sustentar o projeto de sucessão e manter o grupo no comando do Palácio Paiaguás.

