A forte valorização do óleo de soja no mercado internacional continua dando sustentação aos preços da oleaginosa e modificando a composição da rentabilidade das indústrias de processamento nos Estados Unidos. De acordo com análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o principal fator por trás desse movimento é o aquecimento da demanda do setor de biodiesel, que elevou significativamente as cotações do derivado ao longo de maio.Com o avanço dos preços, o óleo de soja passou a representar uma parcela maior das margens obtidas pela indústria norte-americana, fortalecendo a atratividade econômica do processamento da oleaginosa. O cenário também foi favorecido pelas expectativas de continuidade da demanda por combustíveis renováveis, especialmente nos Estados Unidos.
No Brasil, entretanto, os reflexos desse movimento externo ainda são limitados. Segundo os pesquisadores do Cepea, a valorização observada no mercado internacional não tem sido totalmente repassada aos preços domésticos devido à pressão exercida pelos prêmios de exportação e pela demanda interna enfraquecida.
Outro derivado que apresentou valorização no exterior foi o farelo de soja. As cotações internacionais foram impulsionadas pela expectativa de aumento da procura pelo produto norte-americano no mercado global, fortalecendo os preços ao longo da semana.
No mercado brasileiro, porém, o comportamento foi diferente. Os preços do farelo recuaram diante da retração da demanda doméstica. De acordo com o Cepea, boa parte dos consumidores segue abastecida, realizando apenas compras pontuais para reposição de estoques, o que reduz o ritmo das negociações e limita movimentos de alta.
O cenário reforça o contraste entre os mercados externo e interno. Enquanto os derivados da soja ganham força no comércio internacional, especialmente com o avanço do biodiesel e da demanda global por farelo, o mercado brasileiro ainda enfrenta desafios relacionados ao consumo doméstico e à competitividade das exportações.


