
Após mais de uma década de pesquisa, a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) lançou duas novas cultivares de abacaxi adaptadas às condições de cultivo no Estado. Batizadas de Unemat Esmeralda e Unemat Rubi, as variedades chegam ao campo com foco em resistência a doenças, maior produtividade e facilidade de manejo.
O desenvolvimento contou com fomento do Estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), e integra ações do Centro de Pesquisa, Estudos e Desenvolvimento Agroambientais (CPEDA) e do programa MT Horticultura, voltado à difusão de tecnologias para produtores rurais.
O principal diferencial das novas cultivares está na resistência à fusariose, considerada a doença mais grave da cultura do abacaxi no Brasil. A enfermidade, causada pelo fungo Fusarium guttiforme, pode provocar perdas de até 80% da produção, especialmente em variedades tradicionais como Pérola e Jupi.
Diante desse cenário, o melhoramento genético foi adotado como estratégia para reduzir prejuízos e diminuir a dependência de defensivos químicos. A pesquisa teve início em 2012, com a implantação de um Banco Ativo de Germoplasma (BAG), reunindo diferentes variedades para análise e cruzamentos controlados.
Após anos de estudos, incluindo testes de resistência, avaliação agronômica e seleção genética por métodos estatísticos, o projeto resultou no lançamento comercial das duas cultivares em 2024.
A Unemat Rubi apresenta frutos de formato cilíndrico, polpa amarela, massa média de 1,6 kg e teor de sólidos solúveis de 13 °Brix. Já a Unemat Esmeralda alcança massa média de 2,1 kg e 13,9 °Brix, indicando maior potencial de doçura. Ambas possuem acidez equilibrada e relação açúcar/acidez superior a 20, característica valorizada no consumo in natura.
Outro avanço importante está no manejo. As duas cultivares não possuem espinhos nas folhas, o que facilita a colheita e reduz riscos de acidentes durante os tratos culturais. Além disso, apresentam porte ereto e desenvolvimento vegetativo superior a um metro de altura.
“A Unemat Esmeralda possui altura média de 102 cm, enquanto a Rubi chega a cerca de 114,5 cm. Também observamos menor número de folhas e boa produção de mudas do tipo filhote, o que favorece a propagação”, explicou o coordenador da pesquisa, professor doutor Willian Krause.
No campo, o cultivo recomenda o uso de mudas classificadas por tamanho, com cura ao sol por cerca de sete dias antes do plantio. A densidade ideal varia entre 30 mil e 40 mil plantas por hectare, com adubação baseada em análise de solo e irrigação entre 60 e 150 mm por mês.
A fusariose provoca sintomas como redução do crescimento da planta, apodrecimento dos tecidos e presença de exsudato — um líquido que deixa a polpa úmida e compromete a qualidade do fruto. Em casos avançados, o abacaxi apresenta mau cheiro, alteração de textura e não é indicado para consumo.
Com resistência genética à doença, as novas cultivares reduzem a necessidade de controle químico e aumentam a estabilidade da produção.
“O desenvolvimento das cultivares representa uma alternativa tecnológica ao reunir resistência a doenças, melhoria no manejo, padronização da produção e redução de custos. Também reforça a importância da pesquisa pública para o fortalecimento da agricultura em Mato Grosso”, destacou o pesquisador.


