
A quebra do Ueno Back, no Paraguai, deixou mais de três milhões de pessoas sem salários e sem as economias num dos maiores desfalques contra os trabalhadores. O banco, que já teve o atual chefe do Banco Central entre seus dirigentes, era o que detinha as contas da previdência estatal e as do Ministério da Economia. Também era o maior emissor de cartões de crédito do país e administrava mais de 850 milhões de dólares em recursos públicos.
Nesta terça-feira, os aposentados e correntistas do banco foram surpreendidos com o fechamento do banco e com a informação de que não poderiam retirar o dinheiro. Foi um dia de protestos e muito sofrimento para a população que se viu sem qualquer amparo. Nós, no Brasil, já vivemos um pesadelo bastante parecido durante o governo Collor, quando as contas foram congeladas e as poupanças confiscadas.
O Ministério Público paraguaio é a entidade que está investigando o caso. Ontem, oito dirigentes do banco foram presos e agora aguardam o resultado das análises. Também existe a possibilidade de se investigar o próprio Banco Central por ter permitido que a situação chegasse a este ponto.
Os movimentos sociais, que já estão organizando um ato gigante para essa quarta-feira, insistem que o Banco Central do Paraguai também é cúmplice desse roubo, já que era sua função acompanhar e fiscalizar as ações do Ueno Banck. O presidente Santiago Peña também está sob fogo cruzado dos paraguaios, afinal, como permitiu que o dirigente do Banco Central fosse um antigo dirigente do Ueno? Segundo os paraguaios, isso cheira a golpe orquestrado desde dentro. O caso traz bastante problema para o governo que vinha “vendendo” o Paraguai como um lugar seguro para os investidores. Segundo os jornais de hoje o presidente pediu a renúncia do diretor do Banco Central.
O Ueno Banck é controlado Grupo Vázquez, um dos mais importantes grupos empresariais do Paraguai, e teve uma trajetória meteórica de um banco pequeno para um banco que abocanhou não só grande parte dos recursos públicos, mas também as contas da população no mesmo modelo que o banco digital Nubank. A pergunta que fica é: se manejava tantos recursos, como quebrou? Alguém embolsou esse dinheiro, é o que denunciam os movimentos sociais.
Hoje tem ato público e já se cogita uma greve geral, caso os trabalhadores não consigam reaver seu dinheiro.


