
Uma advogada que atuava na Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Espírito Santo (OAB-ES) foi demitida após publicar um vídeo nas redes sociais afirmando que iria “dificultar a vida” de funcionários da instituição que fossem eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT).
A gravação foi publicada na terça-feira (27) e feita dentro das dependências da própria OAB-ES. No vídeo, Julia Gobbo Amorim afirma que há muitos petistas trabalhando no órgão e declara estar com “preconceito” contra essas pessoas.
Na legenda da publicação, a advogada escreveu: “Tem neguinho (sic) que vai quicar aqui hoje”.
Durante a gravação, ela também fez críticas aos funcionários que, segundo sua avaliação, não trabalhariam adequadamente e afirmou que pretendia dificultar a vida deles.
“Muita gente não trabalha, muita gente que quer mamar na teta dos outros. Típico, sabe? […] Se depender de mim, eu vou dificultar a vida dessas pessoas. A partir de agora vai ser isso”, declarou.
Inicialmente, o vídeo foi compartilhado em uma lista restrita de seguidores no Instagram. Na descrição do perfil, Julia se apresentava como assessora jurídica da OAB-ES e especialista em relações empresariais no mercado digital. Após a repercussão, a conta foi desativada.
O desligamento da advogada foi confirmado pela OAB-ES em nota oficial divulgada na tarde de quarta-feira (28). A instituição repudiou as declarações e ressaltou seu compromisso com a democracia e o respeito à pluralidade de ideias.
A entidade afirmou que respeita a liberdade de expressão de seus colaboradores, mas não tolera manifestações discriminatórias ou ataques motivados por convicções políticas.
A OAB-ES não informou qual cargo Julia efetivamente ocupava nem esclareceu se outras medidas administrativas ou judiciais foram adotadas. No cadastro disponível no site da instituição, a inscrição da advogada aparece como regular na subseção de Vila Velha.
O g1 informou que tentou contato com Julia por telefone, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem.
Outro episódio envolvendo críticas políticas
A repercussão também trouxe novamente à discussão uma manifestação do diretor-geral da Faculdade de Direito de Vitória (FDV), Antonio Abikair, que publicou um vídeo criticando profissionais do Direito que apoiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defendem os direitos da população LGBTQIAPN+.
Na gravação, Abikair questionou o apoio de integrantes da área jurídica ao PT e fez críticas a expressões relacionadas à diversidade sexual e de gênero, como a linguagem neutra.
Após a repercussão, o professor publicou uma nova manifestação afirmando que suas críticas estavam relacionadas às mudanças no uso da língua portuguesa, e não à sexualidade ou à forma como cada pessoa se identifica.
A OAB-ES também repudiou as declarações, classificando como inaceitáveis manifestações que inferiorizem pessoas por sua orientação sexual ou identidade de gênero.
A entidade destacou ainda que a gravidade seria maior pelo fato de as declarações terem partido de alguém em posição de liderança em uma instituição responsável pela formação de profissionais do Direito.
Em nota, a Faculdade de Direito de Vitória reafirmou seu compromisso com a democracia, a liberdade de pensamento e o respeito à pluralidade de ideias. A instituição ressaltou que manifestações individuais de integrantes da comunidade acadêmica não representam necessariamente o posicionamento oficial da faculdade.


