Mercado reage à reeleição de Lula: dólar dispara 12% e chega a R$ 5,60; Bolsa aciona circuit breaker

Negociações foram interrompidas várias vezes; Tesouro cancelou leilões de títulos previstos para esta semana

Os mercados financeiros reagiram com forte turbulência nesta segunda-feira (26) à vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato preferido pela maior parte dos analistas do mercado.

O dólar comercial abriu em alta de 8,65%, cotado a R$ 5,42. As negociações foram interrompidas e, na reabertura, pouco antes das 10h, a moeda americana chegou a R$ 5,60, alta de 12,2%. Na sexta-feira, antes do segundo turno, o dólar havia fechado a R$ 4,99.

Circuit breaker

A disparada acionou o circuit breaker, mecanismo que paralisa as negociações quando há variações muito bruscas. No câmbio, ele é acionado quando o dólar sobe mais de 8,4%; com a interrupção, a B3 ampliou o limite para 12%.

O Ibovespa futuro, cuja negociação começa às 9h, despencou 15% e também teve o circuit breaker acionado, com pausa até as 9h30. Na reabertura, o índice seguiu muito volátil e uma nova interrupção foi registrada. Antes da abertura, a B3 já havia ampliado de 10% para 15% o limite de variação do índice futuro, medida válida apenas para esta segunda-feira. As ações no mercado à vista começam a ser negociadas às 10h.

 Tesouro cancela leilões

Diante da volatilidade, o Tesouro Nacional cancelou os leilões de NTN-B e de títulos prefixados (LTN e NTN-F) previstos para terça e quinta-feira. A oferta de LFTs, títulos atrelados à Selic, foi mantida.

Queda no exterior

No exterior, um fundo de índice (ETF) que acompanha ações brasileiras negociadas em Nova York despencou 27% no pré-mercado. No Japão, um ETF de ações brasileiras caiu 15% durante a madrugada, a maior perda diária desde 2008. Papéis da XP e do Itaú Unibanco negociados nos Estados Unidos recuaram pelo menos 26%, enquanto Santander e Telefónica caíram mais de 5%.

Para analistas, depois do estresse dos primeiros dias, o mercado deve acompanhar as decisões do novo governo para avaliar o cenário de médio e longo prazo. O estrategista Simon Quijano-Evans, da Macro Hive, espera uma recuperação gradual do real, citando os limites para uma política fiscal mais expansionista, os juros reais elevados no Brasil e a grande diferença de juros em relação aos Estados Unidos.

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