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engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson, acusado de matar a esposa, Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, e tentar matar a filha do casal, de 7 anos, em Lucas do Rio Verde, no norte de Mato Grosso, foi transferido de uma clínica psiquiátrica particular para o Hospital Adauto Botelho, em Cuiabá. A mudança foi determinada pela Justiça e confirmada nesta quinta-feira (8).
O crime ocorreu em 24 de junho de 2025. Gleici foi morta a facadas dentro de casa, enquanto a filha também foi atacada, mas sobreviveu aos ferimentos.
Segundo o advogado Rodrigo Pouso Miranda, que representa a família da vítima e atua como assistente de acusação, a transferência ocorreu após a disponibilização de uma vaga na unidade pública. Daniel permanecia internado na clínica particular enquanto aguardava encaminhamento.
A mudança acontece em meio à discussão judicial sobre a condição mental do acusado no momento do crime. A família de Gleici contesta os laudos psiquiátricos que apontaram a incapacidade de Daniel de compreender seus atos e defende que ele seja responsabilizado criminalmente pelo feminicídio e pela tentativa de homicídio contra a filha.
Vídeos podem ser usados para contestar laudos psiquiátricos
Imagens de câmeras de segurança da residência, divulgadas pelo advogado da família, mostram o comportamento de Daniel antes do ataque. Segundo a acusação, os registros indicam que ele circulou pela casa, observou o sistema de monitoramento e pegou uma faca momentos antes do crime.
A família sustenta que as gravações podem ajudar a demonstrar que o ataque foi planejado e que o acusado tinha consciência do que estava fazendo.
O advogado também apresentou relatos de conflitos financeiros entre o casal nos dias anteriores ao assassinato. Entre os elementos divulgados está uma conversa em que Gleici mencionava dificuldades no orçamento familiar e a necessidade de vender um apartamento.
De acordo com a assistência de acusação, Daniel teria feito ameaças à esposa e à filha antes do crime. Essas informações são utilizadas pela família para contestar a hipótese de que ele tenha agido durante um surto psiquiátrico.
Justiça ainda analisa responsabilidade criminal
Laudos psiquiátricos apontaram que Daniel seria inimputável, condição jurídica aplicada quando uma pessoa, em razão de doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era inteiramente incapaz de compreender o caráter ilícito de seus atos ou de agir conforme esse entendimento.
A conclusão é contestada pela família de Gleici e pelo Ministério Público, que buscam uma análise mais aprofundada das imagens e das circunstâncias do crime.
Conforme informações divulgadas pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso em setembro, uma nova avaliação pericial havia confirmado a conclusão do primeiro laudo. No entanto, o processo ainda estava em andamento, sem definição sobre um eventual julgamento pelo Tribunal do Júri.
Relembre o crime
Gleici Keli Geraldo de Souza era empresária e trabalhava como cabeleireira e terapeuta capilar em Lucas do Rio Verde. Ela foi assassinada dentro da própria residência, na manhã de 24 de junho de 2025.
A filha mais nova do casal, de 7 anos na época, também foi atingida por golpes de faca. A menina precisou de atendimento hospitalar e permaneceu internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas sobreviveu.
Daniel foi apontado como responsável pelos ataques e passou por avaliações psiquiátricas durante a investigação.
Com a transferência para o Hospital Adauto Botelho, ele permanece sob acompanhamento em uma unidade pública de saúde enquanto a Justiça analisa os próximos encaminhamentos do processo.


