O custo para produzir frango no Brasil voltou a subir e um item específico está pressionando cada vez mais o orçamento dos produtores: a ração.
Levantamento divulgado pela Embrapa Suínos e Aves mostra que o custo de produção do frango de corte aumentou em agosto, impulsionado principalmente pela alta dos insumos utilizados na alimentação das aves. Hoje, a ração já representa praticamente dois terços de todo o custo para produzir um quilo de frango.
Os números ajudam a explicar uma preocupação crescente dentro da cadeia produtiva. Embora o Brasil continue sendo uma potência mundial na produção e exportação de carne de frango, os custos operacionais seguem avançando e exigindo maior eficiência das granjas para manter a rentabilidade.
O que está ficando mais caro?
No Paraná, principal referência nacional para a avicultura de corte, o custo de produção passou de R$ 4,77 para R$ 4,85 por quilo entre julho e agosto, uma alta de 1,56%.
O aumento foi puxado principalmente pelos gastos com alimentação das aves.
Segundo a Embrapa, a ração respondeu por 63,87% de todo o custo de produção registrado em agosto e apresentou aumento de 3,77% no mês.
Em termos práticos, isso significa que, para cada R$ 100 gastos na criação de frangos, quase R$ 64 estão relacionados à alimentação dos animais.
Nos últimos 12 meses, os custos com ração acumulam alta superior a 5%.
Pressão sobre o setor produtivo
A elevação dos custos ocorre em um momento de atenção para produtores e empresas do setor.
Mesmo pequenas variações nos gastos com alimentação têm grande impacto na atividade, já que a ração representa a principal despesa da produção avícola.
Além da alimentação, os produtores monitoram constantemente fatores como energia elétrica, combustível, mão de obra, transporte, sanidade animal e aquisição de pintainhos.
Embora o custo dos pintainhos de um dia tenha apresentado queda em agosto, o acumulado dos últimos 12 meses ainda registra aumento significativo.
Suinocultura também sente o impacto
O movimento não ficou restrito às granjas de frango.
Na suinocultura, Santa Catarina — estado utilizado como referência nacional para os cálculos do setor — também registrou aumento nos custos de produção.
O custo do suíno vivo passou de R$ 6,29 para R$ 6,35 por quilo em agosto.
Mais uma vez, a alimentação aparece como o principal fator de pressão.
A ração respondeu por 72,53% dos custos totais da atividade, confirmando que a nutrição animal continua sendo o componente mais relevante para a sustentabilidade econômica das granjas.
O que isso significa para Mato Grosso?
Embora os dados mensais tenham como referência Paraná e Santa Catarina, Mato Grosso também integra o sistema de monitoramento da Central de Inteligência de Aves e Suínos da Embrapa.
O estado ocupa posição estratégica na produção nacional de grãos, especialmente milho e soja, matérias-primas fundamentais para a fabricação de ração animal.
Por isso, qualquer alteração nos custos de alimentação tem reflexos diretos sobre a competitividade das cadeias de aves e suínos instaladas em território mato-grossense.
Além disso, Mato Grosso vem ampliando sua participação tanto na produção de proteínas animais quanto no fornecimento de insumos para a indústria nacional.
O desafio da eficiência
Especialistas do setor avaliam que o cenário reforça a importância da gestão técnica e financeira dentro das propriedades rurais.
Com margens cada vez mais apertadas, controlar desperdícios, melhorar índices produtivos e acompanhar os custos em tempo real tornou-se uma necessidade para produtores de todos os portes.
Os dados divulgados pela Embrapa mostram que, embora a produção brasileira continue crescendo e mantendo protagonismo internacional, a rentabilidade das granjas depende cada vez mais da capacidade de administrar custos que seguem pressionando o setor.
E, pelo menos por enquanto, a alimentação dos animais continua sendo a conta que mais pesa dentro da porteira.
Após meses de alta, inadimplência dá primeiro sinal de recuo em Mato Grosso e quase 34 mil consumidores deixam lista de restrição
Depois de meses de avanço das dívidas e pressão sobre o orçamento das famílias, Mato Grosso registrou em


