Polícia Federal vai periciar celulares de quatro homens presos por garimpo ilegal na TI Sararé em Pontes e Lacerda

Polícia Federal vai periciar os celulares apreendidos com quatro homens presos em flagrante durante uma ação contra o garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em Pontes e Lacerda, no Mato Grosso. A análise foi autorizada pela Justiça Federal e poderá fornecer elementos sobre contatos, conversas e possíveis conexões relacionadas à extração ilegal de ouro.

Os quatro investigados, identificados pelas iniciais W.E.D.O., W.G.C.O., M.P.D.O. e S.R.D.C., foram presos no dia 20 de agosto durante uma ação da Força Nacional de Segurança Pública na região conhecida como Garimpo Cururu. Eles são investigados, em tese, por crimes relacionados à exploração ilegal de recursos minerais.

A decisão que autorizou o acesso aos aparelhos foi assinada pelo juiz Francisco Antônio de Moura Júnior, da 1ª Vara Federal Cível e Criminal de Cáceres. Com a medida, os investigadores poderão analisar dados armazenados nos celulares, incluindo mensagens, aplicativos e outros conteúdos que tenham relação com a atividade investigada.

Quatro homens foram presos durante patrulhamento

Segundo o auto de prisão em flagrante, agentes da Força Nacional patrulhavam o Garimpo Cururu quando encontraram M.P.D.O. e S.R.D.C. em um acampamento improvisado. No local, foram localizados mantimentos e materiais relacionados à atividade de garimpagem, além de uma pequena quantidade de material identificado como ouro.

Conforme o relato policial, os dois admitiram atuar com extração mineral na região. Na continuidade do patrulhamento, os agentes localizaram W.E.D.O. e W.G.C.O., pai e filho, dentro da área de garimpo. Com eles foram encontradas bateias e gasolina.

Durante os interrogatórios, pai e filho disseram que trabalhavam como garimpeiros e alegaram dificuldades financeiras. Eles afirmaram ainda que haviam chegado ao local na noite anterior para realizar o chamado “reco”, procedimento de reaproveitamento de terra já movimentada em busca de novos vestígios de ouro.

Ao todo, foram apreendidos 5 gramas de ouro, quatro rádios comunicadores, duas balanças de precisão, 3,8 litros de gasolina e dois celulares.

Justiça determina liberdade provisória

Apesar de homologar as prisões em flagrante, o juiz federal entendeu que não havia elementos suficientes, naquele momento, para manter os quatro investigados presos preventivamente. Segundo a decisão, os fatos não envolveram violência ou grave ameaça e outras medidas cautelares seriam suficientes para acompanhar os investigados durante o processo.

W.G.C.O., M.P.D.O. e S.R.D.C. deverão informar endereço e telefone à Justiça, comunicar previamente qualquer mudança de endereço, não frequentar áreas de garimpo ilegal enquanto o processo estiver em andamento e não praticar novos crimes.

Já W.E.D.O., que possui antecedentes criminais e cumpria pena em regime semiaberto, deverá usar tornozeleira eletrônica. A decisão também determinou que o caso seja comunicado à Justiça responsável pelo processo no qual ele cumpre pena.

A perícia dos celulares poderá ampliar a investigação caso sejam encontrados dados relacionados à atividade de garimpo, mas a autorização judicial não significa, por si só, que outras pessoas estejam envolvidas. Eventuais novos investigados ou conexões dependerão dos elementos encontrados e posteriormente confirmados pela investigação.

Os quatro homens permanecem investigados por crimes relacionados à exploração mineral sem autorização dentro da Terra Indígena Sararé. A liberdade concedida pela Justiça é provisória e não representa absolvição nem encerra o procedimento investigativo.

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