Produção de frangos cresce quase o dobro da média nacional

A avicultura de Goiás começou 2026 crescendo quase duas vezes mais que a média brasileira. O Estado abateu 135,6 milhões de frangos no primeiro trimestre, aumento de 7,1% sobre igual período de 2025, enquanto o avanço nacional ficou em 3,6%. O desempenho manteve Goiás como quinto maior produtor do País e foi acompanhado pela expansão das exportações.

Entre janeiro e julho, os frigoríficos goianos embarcaram 181,9 mil toneladas de carne de frango para 95 países, volume 18,2% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. A receita aumentou ainda mais, 23,3%, chegando ao equivalente a cerca de R$ 1,9 bilhão.

Os números reforçam um movimento de expansão que já vinha sendo observado na cadeia. Goiás responde por aproximadamente 8% dos frangos abatidos no Brasil e se consolidou como o principal polo da avicultura de corte do Centro-Oeste.

O crescimento também aparece na quantidade de carne produzida. No primeiro trimestre, o peso das carcaças chegou a 309,3 mil toneladas, avanço de 10,5% em um ano. O percentual superior ao aumento de 7,1% no número de aves abatidas indica maior produção de carne por animal processado.

No Brasil, foram abatidos 1,71 bilhão de frangos entre janeiro e março, maior resultado já registrado para um primeiro trimestre desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1997. A produção nacional de carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas.

O desempenho de Goiás, portanto, ficou acima de um mercado nacional que também cresceu. Além do aumento da produção, o Estado vem ganhando espaço no comércio internacional.

A China foi o mercado que mais ampliou as compras de carne de frango goiana nos sete primeiros meses do ano, com crescimento de 95,5%. As vendas para o Japão avançaram 23,2% e para os Emirados Árabes Unidos, 10,3%.

A presença em 95 países reduz a dependência de um único comprador e ganha importância principalmente diante das oscilações do comércio internacional de proteínas. Para o produtor integrado e para a indústria, mercados diversificados ajudam a sustentar a demanda mesmo quando um destino reduz temporariamente suas compras.

Goiás tem ainda uma vantagem importante na estrutura da cadeia: está no centro de uma das maiores regiões produtoras de milho e soja do País. Os dois grãos são a base da alimentação das aves e representam a maior parcela dos custos da atividade.

Essa proximidade, entretanto, não elimina a pressão sobre as margens. Em julho, o preço do frango resfriado recuou 0,5%, enquanto a saca de milho subiu 1,8%, de R$ 63,68 para R$ 64,84. Com isso, o poder de compra do avicultor em relação ao cereal diminuiu 2,3%.

A alimentação é justamente o principal componente da conta. Dados acompanhados pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa) mostram que a ração chegou a representar cerca de 64% do custo de produção do frango neste ano.

Por isso, aumento de produção e exportações não significa automaticamente melhora equivalente da rentabilidade dentro das granjas. Para o produtor, o resultado dependerá também da relação entre o preço recebido pelo frango e o custo de milho, farelo de soja, energia e demais insumos.

Ainda assim, os números de 2026 mostram uma cadeia em expansão. Goiás cresce acima da média brasileira no abate, produz mais carne e amplia as vendas externas, fortalecendo sua posição entre os principais polos avícolas do País.

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