Vereador é apontado como responsável por resgatar executor após assassinato de jovem em boate de MT

Investigação aponta que parlamentar tinha conhecimento prévio do homicídio e teria recebido orientações para auxiliar na fuga do autor do crime

A Polícia Civil apontou que o vereador Túlio César, de Poxoréu, teria participado da logística de fuga do responsável pela execução de Lavínia Gabrielly Guimarães Coutinho, de 20 anos. A jovem foi assassinada a tiros dentro de uma casa noturna às margens da MT-130, em Poxoréu.

Segundo a investigação, o parlamentar teria conhecimento prévio de que o homicídio seria cometido e ficou responsável por aguardar e retirar o executor da cidade depois do crime. As conclusões, conforme divulgado, são baseadas em análises de aparelhos celulares e outras provas técnicas reunidas no inquérito.

Lavínia foi morta na madrugada de 10 de maio. Um homem armado entrou no estabelecimento, efetuou vários disparos contra a jovem e fugiu. A perícia constatou ao menos cinco disparos, sendo que quatro atingiram a vítima.

Fuga teria sido planejada

As investigações apontaram que o executor inicialmente deixou o local em uma motocicleta Honda XRE 300 preta, posteriormente abandonada em uma região de Poxoréu. Depois, ele teria continuado a fuga utilizando um Hyundai HB20S cinza.

Com o avanço das diligências, a Polícia Civil passou a analisar o círculo de convivência de Lavínia e as comunicações realizadas antes e depois do assassinato.

Segundo a apuração, integrantes de uma organização criminosa suspeitavam que a jovem repassava informações às forças de segurança sobre atividades relacionadas ao tráfico de drogas na região. Essa suspeita é apontada pela investigação como possível motivação para o homicídio.

Vereador teria recebido informações antes do crime

Dados extraídos de um celular apreendido indicaram, segundo a investigação, que Túlio César teria recebido informações sobre a movimentação da vítima e o local para onde ela seguiria.

O vereador também teria recebido orientações sobre onde deveria aguardar o executor e chegou a questionar qual motocicleta seria utilizada na fuga.

Após o assassinato, os investigadores identificaram ainda comunicações relacionadas à tentativa de eliminar vestígios digitais, incluindo orientações para formatar aparelho celular, excluir o WhatsApp e utilizar outro número de telefone.

O parlamentar, que inicialmente havia sido preso temporariamente, acabou preso preventivamente durante nova fase das investigações.

Ordem teria partido de dentro de presídio

Conforme as informações divulgadas, a investigação aponta que a ordem para matar Lavínia teria partido de uma pessoa que estava presa na Penitenciária Major PM Eldo de Sá Corrêa, conhecida como Mata Grande, em Rondonópolis.

A Polícia Civil sustenta que o homicídio foi planejado e contou com divisão de tarefas entre os envolvidos.

Em julho, a Operação Elo Oculto cumpriu oito ordens judiciais, entre prisões e buscas e apreensões, para aprofundar a investigação. Posteriormente, novas diligências avançaram sobre a suposta participação de outros envolvidos.

A investigação continua para identificar e responsabilizar todos os participantes do crime, inclusive o autor dos disparos.

Os fatos atribuídos aos investigados ainda dependem da análise do Poder Judiciário, sendo assegurados o contraditório e a ampla defesa.

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