
Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou nesta quarta-feira (12) o seu aguardado boletim mensal de oferta e demanda, trazendo números que provocaram forte volatilidade na Bolsa de Chicago. Para o agronegócio de Mato Grosso, maior produtor nacional de grãos, as novas projeções internacionais servem de termômetro direto para a formação de preços, custos logísticos e as perspectivas de exportação para a safra 2026/27.
O que mudou nos números norte-americanos?
O relatório global trouxe revisões importantes na safra dos Estados Unidos, tanto em produtividade quanto em área plantada:
- Produtividade em baixa: A produtividade da soja americana recuou de 59,41 para 59,07 sacas por hectare. No caso do milho, a quebra projetada foi ainda mais intensa, tombando de 191,45 para 189,04 sacas por hectare.
- Área da soja em alta: Surpreendendo parte do mercado, o USDA elevou a área plantada de soja da safra 2026/27 de 34,56 para 35,13 milhões de hectares, com a área colhida estimada agora em 34,72 milhões de hectares.
- Estoques globais: Enquanto os estoques finais de soja nos EUA subiram marginalmente (de 8,44 para 8,71 milhões de toneladas), os estoques finais globais de soja despencaram com força, passando de 127,17 para 124,21 milhões de toneladas. Já os estoques mundiais de milho registraram leve alta, de 272,84 para 273,25 milhões de toneladas.
Impactos diretos para o agronegócio de Mato Grosso
Para os produtores mato-grossenses, o cenário internacional desenhado pelo USDA traz reflexos imediatos no mercado físico e nas negociações antecipadas:
- Demanda externa aquecida para a soja: A forte retração nos estoques finais globais de soja sinaliza que o mercado internacional continuará enxuto. Com a quebra de produtividade nos EUA e estoques globais menores, a demanda externa tende a olhar com ainda mais força para o produto brasileiro — e o excedente exportável de Mato Grosso ganha papel estratégico global.
- Atenção redobrada às exportações: Como bem ponderou Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest e da Marex, o “USDA ainda vai precisar olhar a questão da exportação”. Para Mato Grosso, estado que escoa grande parte de sua safra pelos portos do Arco Norte e pela rota sul para exportação, o ritmo dos embarques internacionais e a competitividade do frete serão determinantes para sustentar as cotações nas praças locais.
- Cenário do milho: No caso do cereal, embora a produtividade norte-americana tenha sofrido uma retração expressiva, o aumento dos estoques globais exige cautela por parte dos agricultores mato-grossenses na hora de fechar as janelas de comercialização da safrinha, equilibrando custos de produção e preços futuros na Bolsa.
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