Estado afasta policial penal presa por atirar em entregador

Carlos Filipe, de 34 anos, perdeu parte do intestino, passou por cirurgia e deverá conviver com sequelas permanentes; policial afirma que pretendia atingir apenas a motocicleta

A policial penal Jorcenilma França Viegas, de 46 anos, foi afastada das funções após ser presa preventivamente por suspeita de atirar contra o entregador Carlos Filipe Magalhães Fernandes, de 34 anos, durante uma confusão envolvendo a devolução de um celular, em Cuiabá. (Folhamax)

O afastamento foi publicado no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira (11) e, segundo a publicação, passa a valer de forma retroativa desde o dia 5 de agosto, data em que a servidora foi presa por determinação da Justiça. Ela atuava no Grupo de Intervenção Rápida (GIR), ligado à Secretaria de Estado de Justiça de Mato Grosso.

O caso aconteceu na noite de 22 de julho, no bairro CPA IV. Segundo as investigações, Carlos foi até o endereço para devolver um celular que pertencia à filha da policial penal. A família havia oferecido inicialmente uma recompensa de R$ 50 pelo aparelho.

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A dinâmica do caso passou a ser analisada com mais atenção depois que imagens de câmeras de segurança vieram à tona. Nas gravações, o entregador aparece chegando de motocicleta e entregando o celular. Na sequência, a policial saca uma arma e são efetuados disparos. As imagens divulgadas não mostram Carlos avançando contra a policial antes dos primeiros tiros.

De acordo com a investigação citada pelo FolhaMax, a perícia apontou pelo menos quatro disparos, sendo que dois ou mais teriam atingido a vítima. Outros registros em vídeo divulgados pela imprensa mostram uma sequência maior de tiros durante toda a ocorrência, ponto que ainda depende da conclusão do laudo pericial definitivo.

Carlos foi atingido na perna e nas costas. Um dos disparos atravessou o abdômen e outro atingiu a região do tórax. Ele foi socorrido pelo Samu e encaminhado ao Hospital Municipal de Cuiabá, onde passou por cirurgia.
Segundo o delegado Nilson Farias, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o entregador perdeu parte do intestino, passou a utilizar bolsa de colostomia e poderá conviver com sequelas permanentes.

Em depoimento, Jorcenilma afirmou que pretendia atingir apenas a motocicleta para impedir que Carlos deixasse o local e que não tinha a intenção de acertá-lo. A Polícia Civil, entretanto, pediu a prisão preventiva, que acabou sendo autorizada pela Justiça.

A policial também relatou que o entregador teria exigido um valor maior para devolver o celular e alegado possuir ligação com uma organização criminosa. Essa versão continua sendo investigada e, até o momento, não foi apresentada como fato definitivamente comprovado pela Polícia Civil.

Já uma reportagem publicada dias depois do crime informou que a investigação também apurava a possibilidade de Carlos ter atuado apenas como intermediário na entrega do aparelho, após outra pessoa ter participado da negociação relacionada ao celular.

A arma utilizada pela policial foi apreendida. O processo tramita na 12ª Vara Criminal e a DHPP trabalha para concluir o inquérito e esclarecer definitivamente a dinâmica, a quantidade de disparos e a responsabilidade de cada envolvido.

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