Mix E32: Elevação da mistura de etanol na gasolina impulsiona produção em Mato Grosso

Uma decisão estratégica do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) promete mudar o cenário dos combustíveis no Brasil. A partir de 1º de agosto, a mistura de etanol anidro na gasolina passa de 30% para 32% (E32). A medida, que visa reduzir a dependência brasileira da importação de gasolina e mitigar os riscos da volatilidade do petróleo internacional, traz um otimismo renovado para a indústria mato-grossense.

Estimativas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) indicam que, em um ciclo completo de 12 meses, a mudança adicionará uma demanda de cerca de 954 milhões de litros de etanol anidro no mercado nacional.

Para o restante de 2026, a projeção é de um incremento de 409 mil metros cúbicos. Esse volume é visto com bons olhos pela Famato, que destaca a maior

previsibilidade

para produtores e indústrias. O aumento da mistura dá maior segurança para a produção e para a continuidade desse movimento de ampliação da oferta de etanol, não apenas em Mato Grosso, mas em todo o Brasil”, afirma Cleiton Gauer, superintendente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato).

Mato Grosso: A força do etanol de milho

Mato Grosso encerrou a última safra produzindo 7,27 milhões de metros cúbicos de etanol, consolidando a segunda posição no ranking nacional. O grande protagonista desse crescimento é o milho, que responde por impressionantes 85% da produção estadual.

Projeções para a safra 2026/27:

  • Produção Total: 8,44 milhões de metros cúbicos (crescimento de 16,08%).
  • Etanol de Milho: 7,33 milhões de metros cúbicos (alta de 18,67%).
  • Moagem de Milho: 16,36 milhões de toneladas (alta de 18,52%).

Esse avanço é sustentado pela expansão da capacidade industrial, com a previsão de entrada em operação de duas novas usinas focadas no processamento do cereal.

Além do transporte rodoviário

Para o setor, o horizonte é ainda mais amplo. A indústria mato-grossense já começa a vislumbrar oportunidades para além do tanque dos veículos de passeio. O foco agora é a descarbonização global, com apostas claras em dois mercados promissores:

  1. SAF (Combustível Sustentável de Aviação): A transformação do etanol em querosene de aviação renovável.
  2. Combustível Marítimo: Utilização do etanol como alternativa verde para o transporte transoceânico.

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