Os preços do suíno vivo encerraram abril em forte queda nas principais praças acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. O movimento de baixa, intensificado nas últimas semanas do mês, levou a uma desvalorização histórica no acumulado de 2026, especialmente no mercado paulista.
Segundo levantamento do Cepea, na região SP-5 — que engloba Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba — o suíno vivo acumulou queda real superior a 30% na comparação entre a média de abril deste ano e a registrada em dezembro de 2025, considerando os valores deflacionados pelo IGP-DI de março de 2026. De acordo com o centro de pesquisas, trata-se da retração mais intensa já registrada para esse intervalo desde o início da série histórica, em 2002.
Apesar da forte pressão sobre os preços internos, as exportações brasileiras de carne suína seguiram em patamar elevado. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil embarcou 138,3 mil toneladas da proteína em abril, o maior volume já registrado para o mês na série iniciada em 1997. Embora o resultado represente recuo de 9,1% frente a março, quando foram exportadas 152,2 mil toneladas, houve crescimento de 8,2% em relação a abril de 2025.
No campo, a relação de troca também piorou para os produtores. Mesmo com recuos nas cotações do milho e da soja, os suinocultores paulistas perderam poder de compra diante da queda mais intensa nos preços do animal vivo. Conforme análise da equipe de grãos do Cepea, o mercado spot do milho apresentou negociações limitadas, reflexo da demanda enfraquecida e da estratégia de consumidores em priorizar o uso de estoques, realizando aquisições pontuais.
Entre as proteínas concorrentes, abril apresentou cenários distintos. O preço do frango resfriado subiu no período, enquanto a carne bovina também registrou valorização na Grande São Paulo. Já a carcaça suína sofreu forte retração. Nesse ambiente, a carne de frango atingiu sua maior competitividade frente à bovina em quatro anos. Em relação à proteína suína, porém, o frango apresentou o pior nível de competitividade desde 2022, refletindo a forte queda dos preços da carne suína no mercado doméstico.

