
A cadeia produtiva da soja e do biodiesel registrou crescimento expressivo em 2025, impulsionada pelo avanço da produção, do consumo interno e das exportações. Ainda assim, o cenário foi marcado por uma contradição: mesmo com indicadores positivos de atividade, a renda real do setor apresentou leve retração, pressionada pela queda nos preços globais.
Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) aponta que o desempenho foi sustentado pela ampla oferta de soja e derivados, além do fortalecimento da demanda, especialmente no mercado doméstico.
Biodiesel e consumo interno puxam crescimento
Um dos destaques do período foi o avanço do biodiesel, impulsionado pelo crescimento do PIB do segmento em 8,51%. A demanda foi reforçada pela elevação da mistura obrigatória ao diesel, que passou de 14% para 15% em agosto de 2025, levando a novos recordes de produção.
No mercado interno, o consumo de farelo de soja também atingiu níveis históricos, acompanhado pelo aumento das exportações. Já a indústria de rações cresceu 2,8%, puxada principalmente pela avicultura, que segue aquecida pela demanda doméstica.
Os agrosserviços avançaram 9,4%, refletindo o dinamismo tanto do campo quanto da agroindústria.
Produção recorde, mas renda recua
Apesar do cenário positivo em termos de atividade, a renda real da cadeia produtiva teve leve queda de 0,55% em 2025. O principal fator foi a deterioração dos preços relativos, que recuaram 10,98% diante da ampla oferta global.
Ainda assim, o processamento da soja mostrou maior capacidade de geração de valor. O PIB por tonelada da soja processada chegou a R$ 7.608, valor 4,09 vezes superior ao da soja exportada in natura, que ficou em R$ 1.862 por tonelada.
Emprego cresce, mas com diferenças entre segmentos
O mercado de trabalho na cadeia da soja e do biodiesel também apresentou expansão. Ao todo, 2,39 milhões de pessoas estavam ocupadas em 2025, alta de 5,52% em relação ao ano anterior. O setor passou a representar 2,34% da economia brasileira e mais de 10% do agronegócio.
O crescimento do emprego foi puxado pelos segmentos de insumos, biodiesel e agrosserviços. Por outro lado, houve redução nas ocupações na produção de soja, na indústria de esmagamento e no setor de rações.
Segundo os pesquisadores, a queda no campo está ligada ao alto nível de mecanização da cultura, que limita a geração de empregos mesmo com aumento da produção. Fatores climáticos também influenciaram, especialmente em estados com quebra de safra, como o Rio Grande do Sul.
Exportações crescem em volume, mas perdem valor
No comércio exterior, a cadeia registrou aumento de 7,75% no volume exportado, totalizando 133,72 milhões de toneladas em 2025. No entanto, o valor das exportações caiu 1,46%, somando US$ 53,46 bilhões, refletindo a queda de 8,54% nos preços médios internacionais.
Entre os produtos, houve alta no valor exportado de soja, óleo, biodiesel e glicerol. Já o farelo e a proteína de soja registraram recuo.
A China manteve a liderança como principal destino, mas outros mercados ganharam relevância, como União Europeia, Sudeste Asiático e Índia, indicando uma diversificação gradual das exportações brasileiras.
Cadeia segue estratégica, mas dependente do mercado global
O desempenho de 2025 reforça a importância da cadeia da soja e do biodiesel para a economia brasileira, tanto na geração de riqueza quanto na criação de empregos. No entanto, também evidencia a forte dependência das condições do mercado internacional, especialmente no que diz respeito aos preços.
Com oferta global elevada e demanda ainda consistente, o setor segue em um cenário de equilíbrio delicado, onde ganhos de produção nem sempre se traduzem em aumento de renda.


