Primeira indígena assume cadeira na Assembleia de MT: “podemos mostrar que sabemos fazer política”

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso viveu um momento histórico nesta quarta-feira (15). Pela primeira vez desde sua fundação, em 2 de julho de 1835, o Parlamento estadual empossou uma representante dos povos originários. A indígena Eliane Xunakalo, do povo Kurâ-Bakairi, assumiu uma cadeira como deputada estadual por 30 dias, ocupando a vaga do deputado Lúdio Cabral.

Natural da Terra Indígena Santana, no município de Nobres, Xunakalo afirmou que chega à Casa de Leis com a missão de dar voz às comunidades indígenas que, segundo ela, ficaram à margem das decisões políticas por quase dois séculos.

Durante sua primeira coletiva de imprensa, a parlamentar destacou o simbolismo da posse e disse que o momento representa mais do que uma conquista individual, mas sim a realização de um sonho coletivo.

“Estou realizando o sonho dos meus ancestrais, dos povos indígenas. Isso representa visibilidade e mostra que podemos ocupar esses espaços e fazer política com responsabilidade e coletividade”, afirmou.

A deputada destacou que pretende usar o curto período de mandato para pautar temas que impactam diretamente os povos tradicionais e também comunidades periféricas. Segundo ela, a intenção é levar “esperança” e ampliar o debate sobre questões históricas que ainda enfrentam resistência dentro do cenário político.

Ela também afirmou que sua presença no Parlamento ajuda a quebrar estigmas e abre caminho para que outros indígenas ocupem cargos políticos no futuro.

“Eu sou a primeira que abre uma era. Muitos ainda podem vir. Nós, povos indígenas, podemos ocupar esses espaços com qualidade”, declarou.

Sobre o peso da responsabilidade, a parlamentar reconheceu que ainda está assimilando o momento, mas destacou que carrega a expectativa de representar milhares de pessoas que aguardam por voz e reconhecimento.

“A responsabilidade é enorme. Meu povo espera que eu leve suas demandas e que, nesses 30 dias, eu consiga fazer algo que mude a forma como a sociedade enxerga os povos indígenas”, disse.

Entre as prioridades do mandato, estão pautas ligadas a grandes empreendimentos em Mato Grosso, como ferrovias e projetos logísticos, além de temas relacionados à economia e aos direitos indígenas. A deputada citou discussões sobre a Ferrogrão e a Fico como exemplos de assuntos que pretende abordar durante sua atuação.

“Nós precisamos falar de tudo isso. O que acontece na aldeia impacta diretamente a cidade. Somos produtivos e precisamos ser ouvidos”, concluiu.

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