
Os fretes rodoviários de grãos registraram queda na última semana em diversas rotas de Mato Grosso, refletindo um momento de menor intensidade no escoamento da produção aliado à alta disponibilidade de caminhões. O movimento evidencia um ajuste natural do mercado logístico, no qual a oferta de transporte supera a demanda, pressionando os valores para baixo
O cenário foi observado especialmente em importantes corredores de escoamento do estado. Na rota entre Campo Verde e Rondonópolis, o frete foi cotado, em média, a R$ 90,48 por tonelada, representando uma retração de 3,04%. Já no trajeto que liga Querência a São Simão, importante ponto de escoamento hidroviário, o valor médio ficou em R$ 245,00 por tonelada, com queda ainda mais acentuada, de 4,85%.
A redução nos preços está diretamente ligada ao ritmo mais lento de embarques no período. Com menos cargas sendo movimentadas, cresce a ociosidade da frota, o que leva transportadores a reduzirem os valores cobrados para garantir contratos e manter a operação ativa.
Além disso, o aumento na disponibilidade de caminhões contribui para ampliar a competitividade entre os prestadores de serviço, reforçando o movimento de queda. Esse comportamento é típico em momentos de transição entre picos logísticos, especialmente após períodos mais intensos de colheita e escoamento.
Para o produtor, o cenário pode representar um alívio momentâneo nos custos de transporte, impactando positivamente as margens. Por outro lado, para o setor de transporte, a redução nos fretes acende um sinal de alerta, uma vez que pressiona a rentabilidade em um segmento já sensível a variações de demanda e custos operacionais.
A tendência para as próximas semanas deve seguir atrelada ao ritmo de comercialização e embarque da safra. Caso o fluxo de grãos volte a ganhar força, a expectativa é de recomposição gradual nos valores. Até lá, o mercado de fretes em Mato Grosso segue ajustando suas tarifas diante de um cenário de menor demanda e maior oferta de transporte.

