
Um crime que por anos foi tratado como latrocínio acabou revelando uma trama familiar marcada por traição e frieza. A Polícia Civil concluiu que o assassinato do empresário Ricardo Luiz Nolasco Lopes, de 56 anos, ocorrido em janeiro de 2020, em Campinas (SP), foi planejado pela própria filha, que à época tinha 25 anos, com a ajuda do namorado.
O caso aconteceu na Estrada Benedito Nardes, no distrito de Sousas. Na versão apresentada inicialmente, o empresário dirigia com a filha quando teria sido interceptado por um suposto assaltante armado. Segundo o relato, o criminoso teria levado R$ 300 e efetuado diversos disparos, atingindo apenas Ricardo, que morreu no local.
As primeiras investigações não identificaram suspeitos, e o inquérito caminhava para arquivamento. No entanto, a Delegacia de Investigações Gerais, vinculada à Delegacia de Investigações Criminais de Campinas, decidiu reabrir o caso após identificar inconsistências na narrativa apresentada.
Os investigadores apontaram que o número elevado de disparos e o uso de mais de uma arma não eram compatíveis com a dinâmica de um roubo seguido de morte. A reanálise do caso levou a novos depoimentos, inclusive do então namorado da filha da vítima.
Durante a nova oitiva, ele apresentou contradições e revelou detalhes sobre a quantidade de tiros e o calibre das armas, informações que, segundo a polícia, só poderiam ser conhecidas por alguém presente na cena do crime. Diante da pressão das evidências, ele teria admitido que a emboscada foi planejada após a jovem convencer o pai a ir até o local sob o pretexto de visitar um imóvel em construção.
De acordo com a conclusão da Polícia Civil, a motivação do crime foi o fato de o empresário não aceitar o relacionamento da filha com o companheiro. O que parecia um assalto comum, na verdade, teria sido uma execução cuidadosamente arquitetada.
Com o avanço das investigações e a nova linha adotada pela polícia, o caso ganhou contornos de homicídio qualificado. O inquérito foi finalizado com o indiciamento dos envolvidos, e o processo segue agora à disposição da Justiça.


