Safrinha de milho 2026: com margem de erro reduzida, mercado prevê alta na volatilidade

Nesta terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, o setor produtivo de Mato Grosso observa com cautela o início da implantação da segunda safra de milho. Segundo análise da Biond Agro, o ciclo 2025/26 entra em campo com um desenho estrutural mais “apertado”. Enquanto a produção nacional é estimada em 137,5 milhões de toneladas — uma queda frente às 141 milhões do ciclo anterior —, a demanda não para de crescer, impulsionada principalmente pela pujante indústria de etanol de milho e pela pecuária intensiva.

CenárioMT apurou que o ponto de maior sensibilidade está na redução dos estoques finais, que devem recuar para cerca de 8,2 milhões de toneladas. Esse volume representa apenas 6% do consumo total, um patamar historicamente baixo que deixa o mercado sem “colchão” para absorver eventuais quebras de safra sem que os preços disparem nas gôndolas e nas bolsas de valores.

Risco operacional: o desafio de tirar a soja e plantar o milho

A segunda safra, que responde por quase 80% da produção brasileira, enfrenta um gargalo logístico e climático. O atraso na colheita da soja, provocado pelo excesso de chuvas em diversas regiões de Mato Grosso, comprimiu a janela ideal de plantio do milho. Diferente de outros anos, o problema agora não é a falta de água, mas a dificuldade de colocar as máquinas no campo devido ao solo encharcado.

“O sistema entrou no ciclo com menos folga. Quando o estoque é mais enxuto, qualquer perda adicional ganha peso maior na formação de preços”, explica Felipe Jordy, gerente de inteligência de mercado da Biond Agro. Em Mato Grosso, que detém metade da produção nacional, cada dia de atraso após a segunda quinzena de fevereiro aumenta o risco de o milho não capturar as chuvas finais do ciclo, essenciais para o enchimento dos grãos.

Balanço justo atua como “piso” para os preços

A combinação de oferta menor e demanda doméstica em alta cria um suporte estrutural para as cotações. Especialistas indicam que uma perda de apenas 5% na produtividade da safrinha significaria 5 milhões de toneladas a menos no mercado, o suficiente para desequilibrar completamente a balança comercial do grão.

Além disso, variáveis externas como a valorização do real frente ao dólar e a possível transição para o fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026 adicionam camadas de incerteza. Para os produtores mato-grossenses, a estratégia agora é monitorar de perto a inspiração diária e o planejamento técnico para mitigar os riscos de uma janela cada vez mais curta.

O que o produtor deve monitorar:

  • Calendário Agrícola: Acompanhar o fechamento da janela de plantio até o início de março.
  • Demanda Interna: O consumo das usinas de etanol segue como o principal “fiel da balança” para os preços locais.
  • Câmbio: A oscilação do dólar impactará diretamente a competitividade do milho brasileiro no porto.

Apesar do mercado ainda precificar uma “normalidade”, qualquer agravamento no atraso operacional pode gerar uma reprecificação rápida e agressiva nas próximas semanas.

Análise do Especialista

A “margem de erro” para o milho em 2026 é quase nula. O produtor que conseguir escalonar o plantio e garantir a sanidade da lavoura poderá surfar em preços mais sustentados, mas o risco climático de um plantio tardio não pode ser subestimado nesta temporada.

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