O mercado internacional de proteínas segue evidenciando a força competitiva do Brasil, especialmente no segmento avícola. Em 2025, o preço da carne de frango brasileira figurou como o terceiro mais competitivo do mundo, atrás apenas dos valores praticados pela China e pelos Estados Unidos, conforme dados da Organização das Nações Unidas compilados e analisados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Esse posicionamento no ranking global de competitividade teve impacto direto sobre o desempenho das exportações brasileiras. Segundo análise dos pesquisadores do centro de pesquisas, o país registrou, em janeiro de 2026, o melhor resultado da série histórica para o mês desde o início do acompanhamento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), iniciado em 1997. No período, os embarques superaram 459 mil toneladas de carne de frango.
Na comparação anual, o desempenho também foi positivo. O volume exportado em janeiro de 2026 apresentou crescimento de 3,6% frente ao mesmo mês de 2025, que até então era o recorde histórico para janeiro. Já no comparativo mensal, houve retração de cerca de 10% em relação a dezembro, período em que os embarques haviam ultrapassado 510 mil toneladas, comportamento considerado dentro da sazonalidade do comércio internacional.
Um dos principais diferenciais estratégicos do setor avícola brasileiro está na forte orientação ao mercado externo. Utilizando dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Cepea destaca que, em 2025, os Estados Unidos e a China direcionaram, respectivamente, 86% e 95% de suas produções para consumo doméstico. Em contraste, o Brasil destinou cerca de 67% da produção ao mercado interno, mantendo parcela significativa voltada à exportação.
Essa estrutura produtiva mais aberta ao comércio internacional amplia a capacidade brasileira de responder rapidamente às demandas globais, aproveitando janelas comerciais e oscilações de oferta em outros países produtores. Ao mesmo tempo, reforça a importância da competitividade de custos, da eficiência produtiva e da manutenção de padrões sanitários elevados para sustentar a presença brasileira nos principais mercados compradores.
O cenário observado no início de 2026 indica que, mesmo diante de oscilações pontuais no ritmo mensal dos embarques, o Brasil segue consolidando sua posição como um dos principais fornecedores globais de carne de frango, sustentado por escala produtiva, tecnologia e forte inserção no comércio internacional.


