Chuvas favorecem desenvolvimento do milho no RS

As condições climáticas das últimas semanas foram benéficas para a cultura do milho no Rio Grande do Sul, em função do bom volume de chuvas e das temperaturas adequadas. Houve recuperação parcial da produtividade em áreas atingidas pela estiagem do final de novembro e dezembro, e as lavouras irrigadas demonstram excelente desenvolvimento, com expectativas de alta produtividade. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar semana passada, as áreas de milho plantadas mais tardiamente, que não estavam em estágio crítico durante o período de tempo seco, também se desenvolvem bem. Atualmente 93% da área projetada pela Emater/RS-Ascar para o milho, que é de 785.030 hectares, foi semeada, estando a maior parte em enchimento de grãos.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, em São Borja, a colheita do milho já foi iniciada e alcança 10% dos 22.000 hectares cultivados. Relatos iniciais indicam boa produtividade para essas lavouras implantadas no início de agosto. Já na região de Ijuí, as condições climáticas têm favorecido a fase de enchimento, mesmo após a redução no número de grãos por espiga, causada pela falta de chuva em final de novembro e início de dezembro nas áreas de sequeiro. Nas lavouras irrigadas, que estão em fase de enchimento, observa-se produtividade média de 15.000 kg/ha, consideradas de alto potencial produtivo. Para esta safra no Estado, a Emater/RS-Ascar projeta uma produtividade média de 7.370 kg/ha.

Milho Silagem

As lavouras de milho silagem apresentam condições satisfatórias, e a expectativa é de bom rendimento por todo o Estado. As chuvas do último período ajudaram na recuperação parcial de áreas afetadas pela baixa precipitação no final de novembro e início de dezembro. Conforme estimativa da Emater/RS-Ascar, a área destinada de milho para silagem deve atingir 366.067 hectares, e a produtividade estimada é de 38.338 kg/ha.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Erechim, muitas lavouras exibem elevado potencial produtivo. A estiagem das semanas anteriores reduziu o rendimento em algumas áreas, na sua maioria destinadas à silagem para rebanhos leiteiros, mas tais perdas estão restritas a pontos localizados. Nas áreas pouco afetadas, mantém-se a expectativa de boa produtividade, estimada de 45 a 50 t/ha. Na região de Ijuí, os produtores realizam a colheita e armazenam a cultura em silos; há boa proporção de grãos na silagem. Entretanto, em algumas áreas, a falta de chuvas, durante o período de enchimento de grãos, reduziu o potencial produtivo.

Soja

A semeadura está em estágio avançado no Estado, alcançando 96% da área prevista, que é de 6.742.236 hectares. A maior parte das lavouras se encontra em desenvolvimento vegetativo (87%), enquanto a floração avançou para 13% da área cultivada, especialmente nas áreas semeadas precocemente. Com a chegada do mês de janeiro e a proximidade do final da janela de plantio, observa-se maior preferência pela utilização de cultivares de ciclo tardio, como forma de assegurar o adequado período de desenvolvimento vegetativo.

As lavouras de soja apresentam estande e desenvolvimento apropriados e, de maneira geral, não há incidência significativa de pragas e doenças. Na maioria das áreas, os agricultores realizam aplicações preventivas de fungicidas, com foco no controle da ferrugem-asiática, e mantêm monitoramento constante em função da elevação da umidade e das temperaturas.

Arroz

A cultura continua em desenvolvimento vegetativo, mas, em algumas áreas, avança para a fase reprodutiva, iniciando florescimento, quando são realizadas aplicações de adubação para atender à demanda nutricional. As precipitações foram importantes para os cultivos. No entanto, em algumas regiões, causaram danos e foi necessária a reconstrução de estruturas, como na Região Central. A queda das temperaturas no final do período traz apreensão aos produtores, principalmente em relação aos cultivos em estágio reprodutivo. A área a ser cultivada com arroz no RS está estimada pelo Instituto Riograndense do Arroz (Irga) em 920.081 hectares e a produtividade prevista inicialmente pela Emater/RS-Ascar é de 8.752 kg/ha.

Feijão 1ª safra

A continuidade do regime de chuvas foi propícia para a cultura, que prossegue para o final do ciclo na maioria das regiões do Estado. No entanto, as precipitações vêm atrasando a colheita em algumas regiões. Perdas de produtividade foram constatadas nas lavouras que sofreram estresse hídrico durante o enchimento de grãos. Estima-se que aproximadamente 75% da área projetada pela Emater/RS-Ascar para esta safra, que é de 26.096 hectares, tenha sido semeada. As lavouras apresentam fitossanidade apropriada. Segue o monitoramento de doenças e pragas, controladas quando necessário.

Olerícolas e frutícolas

Milho-verde

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Lajeado, em Bom Princípio, o milho-verde colhido apresenta adequado padrão de qualidade, além de satisfatória formação de espigas, enchimento de grãos e coloração. No período entre o Natal e o Ano Novo, observou-se redução na comercialização. O preço praticado está em torno de R$ 2,00/espiga, valor inferior ao do início do mês. Mesmo com alta qualidade, há dificuldade de escoamento, possivelmente relacionada à limitação de canais logísticos e de comercialização para o Litoral, principal mercado consumidor neste período.

Em Cruzeiro do Sul, a cultura está em colheita e comercialização. As lavouras se encontram em diferentes estádios fenológicos, como germinação, desenvolvimento vegetativo inicial e final, floração, enchimento de grãos e colheita. De modo geral, as plantas apresentam desenvolvimento vegetativo e reprodutivo adequado, sem registro de problemas significativos relacionados a pragas ou doenças. O preço recebido pelo produtor na propriedade é de R$ 0,40/espiga.

Citros

Ainda na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Lajeado, os cultivos de laranja e bergamota se encontram em período de entressafra. As chuvas ocorridas nos últimos dias favoreceram o desenvolvimento dos frutos de bergamota. O raleio dessa cultura está previsto para iniciar na segunda quinzena de janeiro, quando deve ser retirada boa carga para a produção de óleo essencial. Em Pareci Novo, alguns agricultores iniciaram o raleio nas bergamoteiras precoces. A regularidade das chuvas e as temperaturas elevadas favoreceram o crescimento vegetativo, resultando em alongamento dos ramos e na renovação da copa, além da formação de folhas jovens. No entanto, essas folhas, por apresentarem tecidos ainda pouco resistentes, tornam-se mais suscetíveis a estresses bióticos (insetos, fungos etc).

As operações de manejo dos pomares, como roçadas, encontram-se em fase final na maioria das propriedades. Em função da elevação das temperaturas e da manutenção de condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento de pragas e doenças, intensificam-se os tratamentos fitossanitários preventivos. Destacam-se ações de controle de mosca-branca, bem como o monitoramento contínuo e o manejo de doenças fúngicas, com ênfase na pinta-preta.

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