
O secretário de Segurança Pública de Mato Grosso, coronel César Roveri, entrou de vez no tabuleiro político e já provoca mudanças no cenário da bancada militar no Estado. Com forte presença nas redes sociais e aproximação direta com policiais militares em diversas regiões, Roveri surge como principal nome para disputar uma cadeira na Câmara Federal em 2026, ameaçando a hegemonia hoje ocupada pelo coronel da reserva Assis, único representante do segmento eleito na última eleição.
Nos bastidores, a movimentação do secretário vem ganhando força. A circulação constante em batalhões, eventos, solenidades e encontros com a tropa gerou engajamento expressivo entre militares, especialmente praças e oficiais que se sentem representados pela atual gestão da Segurança Pública. Publicações com Roveri ao lado de policiais têm alcançado grande repercussão, reforçando a imagem de proximidade com a categoria.
Assis, por sua vez, enfrenta desgaste dentro da própria base. Após ser eleito, acabou se distanciando de setores da Polícia Militar que o apoiaram, especialmente em cidades do interior. A ausência em agendas menores e o foco em pautas nacionais podem dificultar seu discurso de representação direta da tropa, abrindo espaço para um adversário alinhado ao cotidiano da corporação.
Outro fator que fortalece Roveri é sua relação com o Palácio Paiaguás. Atualmente, goza de prestígio junto ao governador, o que pode render apoio político e logístico em uma eventual campanha. Esse diferencial pesa em um Estado historicamente marcado por alianças regionais e por forte influência do Executivo nas disputas proporcionais.
Se não houver composição, o cenário é de acirramento entre duas lideranças militares com perfis diferentes: Assis, já consolidado no Parlamento, mas afastado das bases; e Roveri, ascendendo como representante mais conectado com o sentimento da tropa.
Caso Roveri confirme sua pré-candidatura, a bancada militar pode viver um racha inédito ou, em outra possibilidade, ganhar força com a eleição de mais de um representante.
Até lá, o que se observa é claro: o protagonismo mudou de mãos. E, pela primeira vez em anos, Assis não está sozinho nem seguro na liderança do segmento.


